Respira

By Youngstud

On Blur

Released on November 30, 2021

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[Verso 1: Youngstud]

Corpo morto como o ponto num carro

Ao sabor do relantim fumo um conto no quarto

Queria criar um conto inspirado e tou fodido c'o parto

Nestes dias eu não vi aparecer o duplicar das frases

'Tou a complicar, são fases

Olho clínico, avalio o caso

Muito duro comigo ou quase

Mas nunca alcancei a catarse

Ainda mando o rap catar-se

Merda p'ra tudo o que eu faço

Herdo o futuro da minha base

Ser mais um pobre e honrado

Casa, trabalho, trabalho comida pra minhocas

Compro o cancro no talho aprendo e vivo como idiotas

Devo ser um. Apostas?

Estupidez eu tenho às postas

Morte a porta? Não tenho seguro eu vou de vela na volta

Vida vou vê-la torta onde já mais se endireita

Com tanto xuto e pontapé na peida

Mas um gajo aceita

Tipo que sou da seita de Satan, o meu remédio sem receita

E visto-me a preceito para receber o faith né?


[Bridge: Youngstud]

Conta até 10 e respira

Quanto mais cedo aceitares que a vida finda

Mais a verás linda: lida

Conta até 10 e respira

Quanto mais cedo aceitares que a vida finda

Mais a verás linda: lida


[Verso 2: Youngstud]

Eu escrevo pra dar a cor a isto

Como quando dás o coro e ris-te

De felicidade ingénua mas entraste com o pé em riste

Mas eu respiro e visto todo e qualquer espiritismo

Nem que seja para fugir do abismo

Eu abri-me e viste

Nestes olhos vazios há uma gema rara

Com bagagem mas com paisagens de uma beleza cara

E eu dou graças a todas as maravilhas onde eu passo a

Minha tristeza não é tão triste assim, só pinta e adorna o quadro

Eu não 'tou convencido, meu caro

Aquilo que eu já rimei devia pelo menos ter pago um carro

Mas vou viver com um "se" ou vou viver de facto

Eu vou ser o que tiver de ser

De roupa suja ou de fato, isso é um facto


[Bridge: Youngstud & João Pestana]

Conta até 10 e respira

Quanto mais cedo aceitares que a vida finda

Mais a verás linda: lida

Conta até 10 e respira

Quanto mais cedo aceitares que a vida finda

Mais a verás linda: lida


[Verso 3: João Pestana]

Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez

Respiro fundo para não encarnar a peste

E o teste veste a pele de tudo

E eu infecto, dejeto que carrega o mundo

No fundo, alma desconexa, que ingénua peca

Não no abordar mas na análise da tarefa

Acho que sempre fui de mexer jogo até comer a última peça

Mas sou mesmo canibal, ou, não sei jogar esta merda

Alerta meia Leca quem promove esta corrida

Quer o teu olho na meta, fraco foco na paisagem

Logo está que é tão bela

Faço fogo na viagem sinto a brisa na lapela

Já que somos descartáveis como o fim desta novela

Sempre soube o que estava escrito

Um final castiço nem feliz nem triste e sem Glória nisso

Puxo uma e penso o que é que eu levo mesmo disto

Andar sempre de arma em riste quando quero é pacifismo

Serenatas ao abismo para provar que existo, repito

Infinito no infinito a rotação dos mesmos discos

Não sou Arisco ao dito que todo o dia é circunscrito

Mas respiro, conto até dez e ressuscito


[Bridge: Youngstud & João Pestana]

Conta até 10 e respira

Quanto mais cedo aceitares que a vida finda

Mais a verás linda: lida

Conta até 10 e respira

Quanto mais cedo aceitares que a vida finda

Mais a verás linda: lida