Released on November 29, 2024

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[Refrão]

Sci-pirum-pa-pirum-pa-pum-pei

Só vou fazer aquilo com que me sentir bem, ya

Sci-pirum-pa-pirum-pa-pum-pei

Só vou rappar sobre aquilo que sei


[Verso]

Dá-me um bloco e uma caneta, uma camera e boa luz

Ao que eu sempre me propus, aquilo que mais me seduz

Uma quadra e um quadro que eu compus

Inspiração vem da vida d'uma touriga e de um bom kush

O vosso puto Madeira, homem metade ao sol

Outra metade à sombra d'uma bananeira

Isto não é um mar de rosas

Traduzo tudo num filme, num soneto, e numas prosas

Um plano que se vai еnquadrando até que focas

Até que tu evocas os dеuses do Olimpo mas não obtens respostas

Vejo o mundo através uma Carl Zeiss

Já vi dicas que não têm price

Num segundo tens tudo na mão, noutro segundo tudo vai-se

É um vice

Vice city, boy, pergunta tu à Siri que eu não falo com esses robots

Não vou entrar nesses complots

Acredito em toda gente que pôs fé naquilo que faz

Tempo é demasiado fugaz

À procura d'uma benção como a do Chulla e do Gula

Não julgues o livro pela capa e é assim que este se intitula

De Loulé à capital pensei mudar de capital

P'a aumentar o capital mas não cheguei ao terminal

'tamos na mesma página mas não no mesmo livro

O desassossego fica grande e agitado fica este espírito

Se acaba a tinta na caneta é mais um momento fatídico

Em mais um momento lírico, dá-me

Dá-me tudo o que tu tiveres, juro não vou procurar defeitos

Falemos da nossa verdade sem 'tar a aplicar efeitos

Só para sermos eleitos e dizermos que 'tivemos uns pretéritos perfeitos

"Nas quadras que a gente vê quase sempre o mais bonito

Está guardado para quem lê o que lá não 'tá escrito"

E esta quadra que aqui deixo não é minha, é do Aleixo

Ya, poeta da terra que me viu nascer

Terra que me vai cobrir quando eu morrer

E assim vai ser aquilo que tiver de ser

Enquanto gente ouve o tic-tac, tic-tac, clico e *pa*

Momento Kodak, saco mais um rolo do saco e *pa*

'Tou sempre pronto p'a sátira

Numa mão o mic, na outra tenho a minha máquina

Gravo e escrevo o mundo como eu o vejo, é a minha prática

Peço desculpa a mim mesmo por momentos que não vivi

Memória persiste, relógio derrete tipo o Dali

Sabemos tanta merda e ao me'mo tempo nada

É muito sermão nesta missa mal dada

É um plano de sequência, acarreta a consequência

Rebenta essa paciência, ser paciente com a paciência

Cabeça não se perde embora às vezes esteja tonta

Se vais esquecer aquilo que digo, então aponta

Olhar ao espelho é ver a alma bem diferente de ver o teu reflexo numa montra

Yeah, no doubt

Aqui qualquer clichê é um mero acaso

A nossa diferença é que o meu rap não tem prazo

Não troco as minhas rimas por nenhum maço

Ya boy, 'tá-se à vontade

O que eu faço com verdade não é caso p'a vaidade

É um laço p'ra a eternidade

Contigo desse lado

Sê Rey, Roka Forte

Ninguém te julga pela roupa que usas, qual é o fumo que fumas?

Tu não sucumbas a mais uma avareza

Eles querem ter-te como uma presa que não vai sair ilesa

Querem a tua cabeça em cima da mesa

Com licença, deixa o boy passar

Faz essa gira e deixa o boy pensar

'Tou mais aceso do que a mortalha a queimar

Sem pressa mas o tempo vai passando

Rima atrás de rima vou cantando, vou espantando males

Outros vão comprando vales

Descontos numa fama que se gasta e em breve vai deixá-los

Muitas apostas em cavalos, raspadinhas vão raspá-los

E eles não dão népias, 'tão-nos a dever muitas vénias

Porque esta merda é arte, telas em cima de telas

Tintas, aguarelas, boy, esta merda é arte

Cada canção é p'a história

Cada palco uma vitória

Cada ouvinte é uma glória

Viver, encher a memória

Não queiras guardar espaço

Faz o que amas e assim lembras cada passo, cada impasse

Desde o primeiro palco back em 2002

Até ao último verso gravado aqui no dia de hoje

Toda a vida nisto, vai ser toda a vida nisto

It's a rap, it's a motherfucking rap


[Refrão]

Sci-pirum-pa-pirum-pa-pum-pei

Só vou fazer aquilo com que me sentir bem, ya

Sci-pirum-pa-pirum-pa-pum-pei

Só vou rappar sobre aquilo que sei