[Refrão]
Sci-pirum-pa-pirum-pa-pum-pei
Só vou fazer aquilo com que me sentir bem, ya
Sci-pirum-pa-pirum-pa-pum-pei
Só vou rappar sobre aquilo que sei
[Verso]
Dá-me um bloco e uma caneta, uma camera e boa luz
Ao que eu sempre me propus, aquilo que mais me seduz
Uma quadra e um quadro que eu compus
Inspiração vem da vida d'uma touriga e de um bom kush
O vosso puto Madeira, homem metade ao sol
Outra metade à sombra d'uma bananeira
Isto não é um mar de rosas
Traduzo tudo num filme, num soneto, e numas prosas
Um plano que se vai еnquadrando até que focas
Até que tu evocas os dеuses do Olimpo mas não obtens respostas
Vejo o mundo através uma Carl Zeiss
Já vi dicas que não têm price
Num segundo tens tudo na mão, noutro segundo tudo vai-se
É um vice
Vice city, boy, pergunta tu à Siri que eu não falo com esses robots
Não vou entrar nesses complots
Acredito em toda gente que pôs fé naquilo que faz
Tempo é demasiado fugaz
À procura d'uma benção como a do Chulla e do Gula
Não julgues o livro pela capa e é assim que este se intitula
De Loulé à capital pensei mudar de capital
P'a aumentar o capital mas não cheguei ao terminal
'tamos na mesma página mas não no mesmo livro
O desassossego fica grande e agitado fica este espírito
Se acaba a tinta na caneta é mais um momento fatídico
Em mais um momento lírico, dá-me
Dá-me tudo o que tu tiveres, juro não vou procurar defeitos
Falemos da nossa verdade sem 'tar a aplicar efeitos
Só para sermos eleitos e dizermos que 'tivemos uns pretéritos perfeitos
"Nas quadras que a gente vê quase sempre o mais bonito
Está guardado para quem lê o que lá não 'tá escrito"
E esta quadra que aqui deixo não é minha, é do Aleixo
Ya, poeta da terra que me viu nascer
Terra que me vai cobrir quando eu morrer
E assim vai ser aquilo que tiver de ser
Enquanto gente ouve o tic-tac, tic-tac, clico e *pa*
Momento Kodak, saco mais um rolo do saco e *pa*
'Tou sempre pronto p'a sátira
Numa mão o mic, na outra tenho a minha máquina
Gravo e escrevo o mundo como eu o vejo, é a minha prática
Peço desculpa a mim mesmo por momentos que não vivi
Memória persiste, relógio derrete tipo o Dali
Sabemos tanta merda e ao me'mo tempo nada
É muito sermão nesta missa mal dada
É um plano de sequência, acarreta a consequência
Rebenta essa paciência, ser paciente com a paciência
Cabeça não se perde embora às vezes esteja tonta
Se vais esquecer aquilo que digo, então aponta
Olhar ao espelho é ver a alma bem diferente de ver o teu reflexo numa montra
Yeah, no doubt
Aqui qualquer clichê é um mero acaso
A nossa diferença é que o meu rap não tem prazo
Não troco as minhas rimas por nenhum maço
Ya boy, 'tá-se à vontade
O que eu faço com verdade não é caso p'a vaidade
É um laço p'ra a eternidade
Contigo desse lado
Sê Rey, Roka Forte
Ninguém te julga pela roupa que usas, qual é o fumo que fumas?
Tu não sucumbas a mais uma avareza
Eles querem ter-te como uma presa que não vai sair ilesa
Querem a tua cabeça em cima da mesa
Com licença, deixa o boy passar
Faz essa gira e deixa o boy pensar
'Tou mais aceso do que a mortalha a queimar
Sem pressa mas o tempo vai passando
Rima atrás de rima vou cantando, vou espantando males
Outros vão comprando vales
Descontos numa fama que se gasta e em breve vai deixá-los
Muitas apostas em cavalos, raspadinhas vão raspá-los
E eles não dão népias, 'tão-nos a dever muitas vénias
Porque esta merda é arte, telas em cima de telas
Tintas, aguarelas, boy, esta merda é arte
Cada canção é p'a história
Cada palco uma vitória
Cada ouvinte é uma glória
Viver, encher a memória
Não queiras guardar espaço
Faz o que amas e assim lembras cada passo, cada impasse
Desde o primeiro palco back em 2002
Até ao último verso gravado aqui no dia de hoje
Toda a vida nisto, vai ser toda a vida nisto
It's a rap, it's a motherfucking rap
[Refrão]
Sci-pirum-pa-pirum-pa-pum-pei
Só vou fazer aquilo com que me sentir bem, ya
Sci-pirum-pa-pirum-pa-pum-pei
Só vou rappar sobre aquilo que sei