BULLY

By Yaroze

Released on November 7, 2024

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O meu maior arrependimento é não te poder matar

Mas qualquer dia ainda penso, se ainda vou a tempo

De pintar o pavimento da tua rua, juntar vermelho e cinzento

Enfiar tesouras na tua cara, como fiz nas fotos da escola primária

Dizem que as crianças são inocentes e não são capazes de nada

Então eu estive rodeado de doentes, que me batiam na cara

Cada dia que eu pisava, era um pesadelo diferente

E cada um deixou uma marca queimada na minha mente


[Isso não é nada de mais, devias ter contado aos teus pais]

Para quê? Para a minha mãe ir à escola se queixar?

Reclamar e mandar vir, com professores e diretores

Sensibilizá-los para que também sentissem as minhas dores?

Inútil, eu sabia, que no final do dia, igual ficaria

Que quando me vissem eu, o alvo seria

Podia mudar de escola, podia mudar de vida

Mas filhos da puta há em todo o lado, desde pequeno que eu sabia

O que eu devia ter feito, era saltar do parapeito?

Nah, devia ter pegado na arma do meu padrasto

E levá-la na mala, carregada com muitas balas

Para rebentar muitos miolos e pintar muitas caras

Mas ao contrário do Mr Bullying não teria sido um mero sonho

Teria sido uma balada para uma murder song

E cada bala disparada seria bem justificada

Mas eu sei que a minha vida ficaria arruinada

Porque apesar de ser pequeno, sempre soube o que era a realidade

É isso que ninguém percebe sobre mim, eu sei o que é o medo

Eu sei o que as pessoas são capazes, de atos de degredo

Eu não acredito não confio, não deixo ninguém entrar, porque isso é uma garantia para alguém me magoar

[Sabes que essas crianças são vítimas, os pais fumam e bebem

Quando eles chegam a casa, é só violência que recebem

E quando vão para a escola, não sabem lidar com os sentimentos

Por isso batem nos outros e projetam os seus tormentos]

Eu quero que eles se fodam, isso não é justificação

Eram todos pessoas de merda, não tem a ver com a educação

Porque eu também ouvia discussões, em casa não havia relação

E não era por causa disso que eu me armava em valentão

Por isso mete a tua psicologia barata na tua rata

Era pura maldade, humilhação e desgraça

Porque se há uma verdade no mundo, ultrapassa qualquer paleio

É que há pessoas que nasceram para adorar o sofrimento alheio

E tudo bem eu aceito, faz parte da existência humana

Então tu também tens que aceitar a faca dentro da garganta

Engasgas-te no teu sangue, tenta engolir as palavras

E olha-me nos olhos, antes que se desfaçam em lágrimas

Ouve o meu riso de satisfação, quando perderes as forças

Pensa bem na razão, porque hoje dormes debaixo de uma lona

Fico numa indecisão, já nem te lembras de mim

Será que morres na ignorância ou eu relembro-te do timbre

Com que me extorquiste e roubaste, moedas e trocos

Como passei fome, a desejar estar morto

E a fingir que não se passa nada com o meu corpo

Só por ser diferente, não ser igual aos outros

Morre para aí seu monte de merda, e tens muita sorte

Porque não vais ver o que eu vou fazer, depois da tua morte

Vou matar a tua família e toda a tua rede de suporte

Serei criativo, esfolar à morte por mil cortes

Estou a brincar já fiz isso tudo e quero que saibas

Esses olhos esbugalhados, dizem tudo o que se passa

O que vai na tua cabeça? Desculpa? Seu filho da puta?

Nasceste merda morres merda, há coisas que não mudam

Mas acabar com a tua vida não é suficiente

Tenho que garantir que terás um eterno tormento

Mesmo que não seja real, eu tenho que jogar pelo seguro

E certificar-me que não passas para um mundo mais puro

Então eu comprei umas velas, giz e sangue de cabra

Desenho um pentagrama no chão, recito umas palavras

As luzes piscam, sopram ventos, vindos de poderes externos

Para garantir que a tua alma arde para sempre no inferno