Ossos

By Woner

Released on March 1, 2019

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[Verso]

Eu não queria mas tem que ser agora

Se não matar o medo, medo manda-me janela fora

Eu quero um tudo, mais que droga, o meu barco de papel afundou

Capitão solidão morreu e já não volta

Sucesso aos altos e baixos, paralelos com o meu mundo

Olheiras, corpo magro, ainda tou semi-curvo

Não me livro da ansiedade de estar aqui por mais que fume

E [?] rasga-me a dor, leva-me tudo

Hipocrisia nem se veste, espalha-se em mim como peste

Prestes a [?]

Mundo roda, estou a leste

Tempo passa, a dor só cresce...

O tempo passa, a dor só cresce...

Eu queria mesmo viver disto

Não bastou ideias e habilidade, eu mordi o isco

Paraíso, paraíso, não bastou ideias e habilidade, eu mordi o isco

É o meu paraíso

Fake plástica [?] amor não existe

Quando me tranco parto o outro lado da porta

Eu não tenho troféus, abraço as derrotas

A cada problema novo, mudam-se as peles das cobras

Eu conheço-as todas, não são novas

Eu vejo as flores que se escondem dentro das pessoas

Todas murchas, conheço o sabor da forca

Respiro fundo e lembro-me da força

Só por a ferrugem na minha língua

Morte perto sinto-a

Se ela vem, finto-a

P'ra me ceifar findo-a

Captar um acidente, eu fecho os olhos acordo sempre

Arte acima, destabilidade e sustento, feito urgência

Sou alvo a ser colhido pela foice do tempo

Lento, tento, minto, venço, minto, perco, sofro por dentro...

(Lento, tento, minto, venço, minto, perco, sofro por dentro...)

Eu sempre fui escravo da aprovação do público

Dei saúde à criação e percebi que não sou o único

Agora acordo neste quarto, onde me mato nunca lúcido

Estou a colher as tempestades que semeei quando era um puto estúpido

Sempre fui escravo da aprovação do público

Dei saúde à criação e percebi que não sou o único

Agora acordo neste quarto, onde me mato nunca lúcido

Estou a colher as tempestades que semeei quando era um puto estúpido