Released on November 9, 2018

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[Verso 1: Raphael Warlock]

Me sinto livre, mas o livro diz que é desacato

Domino o drible e não me livro, continuo marcado

Tô tipo gado, desejado, mas só pro abate

E quem me bate é quem devia tá preso de fato

O pato não tá barato e adivinha quem tá pagando

O mais fodido da cena que cês não vê reclamando

Eu tô cagando pra cena, cada vez mais afundando

Quando eu passo ela acena, sou o iceberg chegando

Minha rima é subestimada e eu quero grana, é verdade

Não tô no hype, minha ilha não tem visibilidade

Tô pra mudar o cenário e otário que discordar

Vai ver como é ser bom e mesmo assim te cortarem

Até que reparem no que eu tô fazendo aqui

Pode ser tarde, a gente morre todo dia

Vítimas do ódio e da ignorância, chego a ter ânsia

Eu fazer rap virou covardia

Cês chamam de vadia as minas que tão dando aula

Fragilidade fica estampada na tua cara

Viado fazendo rima pra você é zoado?

Pra mim é o Neto bater na Bivolt e mostrar cara


[Refrão: Raphael Warlock]

Não tem interpretação nem ouvem o que eu disse

Os caça treta são os que fazem do rap tolice

E mesmo que tu visse não ia acontecer nada

Feijoada e tu volta a dar play na mesmice


[Verso 2: JuPat]

Nasci obscena pra essa cena fotográfica

Enquanto artistas se delivery, eu vou morrendo na prática

Fé dos crente sai do armário, reza a mesma temática

Dizima as travestis - ihh

Seu palco exala os bolso sujo e os holiday mcs

Fazendo fila nos concursos de misoginia

E eu me fudendo pra ser outra órfã de vilania

Tá chovendo as bicha rara quer ser

Cê não se mata sua sede com hits 4 paredes

Não me convence a resistência hétero demais

Neta da bruxa não queimada, nasci etérea

Nessa artéria corre sangue, Marielles e elas não

São pedaços de lençóis furados que se covardiam

Vida seca é covardia e eu lubrifico minha parte

Os pró-vida tão querendo que alguém me aborte

Os mané se perguntando se é menino ou se é morte

Os pernalonga de batom tão me jogando a real

Cê acha graça dos freestyles, né?

Mas nem se livra dos refrão que cê roubava de outra mulher


[Refrão: Raphael Warlock]

Não tem interpretação nem ouvem o que eu disse

Os caça treta são os que fazem do rap tolice

E mesmo que tu visse não ia acontecer nada

Feijoada e tu volta a dar play na mesmice

“Seu palco exala os bolso sujo e os holiday mcs Fazendo fila nos concursos de misoginia”
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Exala os bolso sujo provavelmente se refira aos rappers que são fãs de Bolsonaro e holiday mcs pode ser uma referência aos rappers que agem como o Fernando Holiday, muito criticado por ser contrário ao movimento negro e a pautas que têm como objetivo redução das desigualdades raciais. Completando o combo, alguns fazem fila nos concursos de misoginia, marcando o machismo ainda presente no rap.

“Não tô no hype, minha ilha não tem visibilidade”
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Raphael Warlock é de Florianópolis (cujo território “é composto pela ilha principal, a ilha de Santa Catarina, a parte continental e algumas pequenas ilhas circundantes”), ainda distante do eixo de visibilidade do rap nacional.

“Nessa artéria corre sangue, Marielles e elas não São pedaços de lençóis furados que se covardiam”
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Provável referência à peça que os membros da KKK (Ku Klux Klan) usavam para cobrir o rosto.

Entre as principais “causas” da KKK, a supremacia branca, o nacionalismo e a anti-imigração.