Released on January 26, 2018

Thumbnail

[Verso 1: Raphael Warlock]

Violência é coisa de branco rico

Enquanto isso no banco fico

Vendo o vizinho morrendo

A família sofrendo e o meu povo pagando mico

Mano, eu nasci num maldito circo

Onde todo leão é domado

E como aberração é tratado

Jogado na vala por mais de um suíno

Som de tiro por aqui é hino

Nego é adulto já desde menino

Fuzil é brinquedo que mete medo

No filho da puta que ousa encarar

E quem vem comprar

Chega tremendo tentando entender

O que acontece, quando ele sai

Com o cu cheio de droga pro apartamento e desaparece

Até parece um universo

Alternativo do da notícia

Pra cada herdeiro que mata os pais

Dez pretos morrem na mão da polícia

É grande a malícia

Lá no baile funk com a pati chapando à luz da lua

Mas se me encontra usando Juliet

Atravessa logo pro outro lado da rua

Comigo atua

Diz pra esquecer tudo isso e deixar a diferença de lado

Só que na balada não beija, porque não almeja

Índio que não seja pelado

Não é engraçado o que se passa

A fumaça que tu inala, pra mim é pouco

A realidade da minha quebra é o suficiente

Pra me deixar louco

A gente passa sufoco

E sorri com o pastor roubando a cada oração

É de coração o que falo, onde passo tem

Cadáver de decoração

Dispenso o Tinder

Porque a PM tá sempre passando a mão no meu saco

Não fazem programa, mas me dão um cheiro

E o dinheiro no fim sou eu sempre quem pago


[Refrão: Raphael Warlock, Arma Xiss, Rodrigo Zin]

Eu já fiz coisas que você não faz

Eu já vi coisas que você nunca viu

A minha casa ainda não conhece paz

Sou nascido e criado no covil 2x


[Verso 2: Arma Xiss]

E eles são chatos

Por isso gostam tanto do meu saco

Vi que vocês postam enquanto eu cago

Pra opinião de quem não sabe do que fala

Meu trago faz da sala sauna

Fumaça num cômodo hoje é liberdade

Da fauna pra flora e agora quer calma, fi?

Cê não é exclusividade

Cês são câncer de toda a cidade

Faz a mocidade não ser mais alegre

Robô do sistema, frequente no tema

E é só um sintoma, tipo febre

Tipo lebre nóis corre

Quando vê viatura

Acha que é vitimismo

Mas não leva dura

Abaixa que o cinismo, meu

Ninguém atura

Um salve pros mano

No corre atrás de mistura

Se falaram tudo sobre

Saiba que é tudo o dobro

É como um cubo mágico

Na mão de um ogro

Presente, passado e futuro trágico

Um furo e é lógico

PM sádico produz

Atestado de óbito

A lista de pretos mortos

É maior que um obeso mórbido

Mas liguei pro Da Vinci

E pedi os código

Pra poder mostrar o sangue

Que o IBGE esconde

Governo é nosso sistema

Imunológico

Logo o Brasil tem HIV

Portugal veio no pelo

Quando decidiu foder

Porque


[Refrão: Raphael Warlock, Arma Xiss, Rodrigo Zin]

Eu já fiz coisas que você não faz

Eu já vi coisas que você nunca viu

A minha casa ainda não conhece paz

Sou nascido e criado no covil 2x