Released on January 1, 1981

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Dentro de mim aparece as vezes

Uma mulher que me vive em segredo

Um ser estranho que ate tenho medo

Que algum dia me expulse de mim

É mais doida, que a própria ferida

É mais calada que o próprio silencio

E tem a idade em que nada é proibido

Vive comigo dentro de mim

Corre pra dentro de mim

Como se eu fosse uma espécie de aprendiz

Fala comigo tal qual a um amigo

E me aconselha a fazer tudo aquilo que a coragem não deixa fazer

Quando eu não faço ela faz

Quando eu não quero ela é audaz

Quando se zanga consegue o que quer

As vezes me diz que não quer ser mulher

Mas sente falta de um homem qualquer

Essa mulher grita dentro de mim quando calo

Essa mulher chora dentro de mim quando canto

Essa mulher ri do meu sofrimento se amo

Essa mulher sai de dentro mim quando sonho

Essa mulher morre dentro de mim quando grito

Essa mulher me da sua mão quando sofro

Ela é tão "eu" que as vezes não sei quem é ela

É tão só que as vezes não sei se sou eu

Ela é a vida, é a morte doida

É doída como um corte no fundo do meu coração, coração, coração

Dentro de mim aparecem segredos

Uma mulher quem me vive as vezes

Um ser estranho que até tenho medo

Algum dia me expulse de mim

E algum dia me expulse de mim