Bicho do Mato

By W-Magic

On Bicho do Mato

Released on January 1, 2015

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[Intro: W-Magic]

O teu coração não sei, mas o meu é bipolar

O mesmo que me faz rir é o mesmo que me faz chorar

Não vivo às metades, eu sou o nada ou o tudo

Para sentir pela metade, podem ficar com tudo!


[Verso 1: Valete]

Oriundo do mesmo espaço nauseabundo

Que me fez inadaptado e soterrado no submundo

Hoje vivo profundo nesta fossa, eremita do vosso mundo

Porque não curto vossa espécie

A vossa existência é uma mentira

É triste ignorância, vossa força motriz

O país a descambar e nunca sente a vossa ira

Porque passam o dia todo sempre em birras e em haxixe

Vejo essas damas, a minha alma chora

Futilidade mora nessa cabeça que não labora

Materialismo e consumismo é o vosso doping

Se pudessem passavam 24 horas no shopping

Inúteis, vivem para ser Marilyns

Mas nunca conseguem ver a luz como Gremlins

Ser mulher não é só andar produzida

E não é só fazer sobressair o rabo nas leggings

Superficiais como esses broncos

Analfabetos mas com grandes peitorais

O cérebro é um deserto, vivem para ser objetos

E com esse orgulho abjeto de serem metrossexuais

Raça em destroços, como Gaza

Desde sempre que são a desgraça neste enredo

Informação que absorvem dá medo, é o degredo

E o vosso programa cultural é a Casa dos Segredos

Mais velhos, dizem que tudo é corrupção

E que a recessão é culpa dos políticos de má fé

Mas é só conversação, pouca participação

À espera que a revolução aconteça no café


[Refrão: Valete]

Sente a verdade que eu difundo

Aqui escondido, soterrado no submundo

Bicho do mato, não me adapto a vossa raça

Bem longe da vossa farsa, o eremita!


[Refrão: Valete]

Sente a verdade que eu difundo

Aqui escondido, soterrado no submundo

Bicho do mato, não me adapto a vossa raça

Bem longe da vossa farsa, o eremita!


[Verso 2: W-Magic]

'Tou parada num castelo a ver a vida passar

Cadeados com ferrugem não deixam ninguém entrar

Eu fui esquecida, eu fui banida, lançaram-me ao vento

Perdi o tempo mas conto o tempo como passatempo

As muralhas que ergui são mais altas que os meus olhos

E onde eu perdi, não morri, aprofundou-me foi [?]

Desorientada no escuro, já não procuro a esperança

Ela deixou-me, abandonou-me, deixou-me só com as lembranças

Vendi a criança exterior p'ra ficar com a interior

O meu sorriso é manchado por partículas de dor

Tenho pavor quando me olhas e me chamas de amor

Como se me visses de perto antes de o sol se pôr

Tu que nem me vês, digo-te, tens os olhos vendados

Eu sou inteira, vês, tenho os bocados colados

Trancada num quarto, quero partir e não parto

Eu não sou a princesa, eu sou o Bicho do Mato!


[Refrão: Valete]

Sente a verdade que eu difundo

Aqui escondido, soterrado no submundo

Bicho do mato, não me adapto a vossa raça

Bem longe da vossa farsa, o eremita!


[Refrão: Valete]

Sente a verdade que eu difundo

Aqui escondido, soterrado no submundo

Bicho do mato, não me adapto a vossa raça

Bem longe da vossa farsa, o eremita!


[Outro: W-Magic]

Os meus olhos são escuridões, sigo todos os trovões

Eles não me veem a alma e ela tem quatro vulcões

Trancada num quarto, quero partir e não parto

Porque eu não sou a princesa, eu sou o Bicho do Mato!