Released on August 10, 2017

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[Letra de "Cherimoias"]


[Verso 1]

Moacir plantava cherimoia em Pindamonhangaba

Por oito horas por dia ele trabalhava

Nas terras de seu sogro agricultor

Cabelos cor de palha

Tão foscos que se algum desavisado olhasse

Para o seu rosto até imaginava

Que alguém tinha aplicado um filtro blur

E a bela Úrsula

Esposa de Moacir, o esperava em casa

Tentando não sentir o tempo que passava

Enquanto ela varria o quintal

Casou-se aos quinze anos

E agora com dezoito, antes tinha muitos planos

E agora imaginava se a vida era mais

Que roupas num varal


[Verso 2]

Um dia um cacheiro viajante

Apareceu na estrada

Enquanto Moacir cravava sua enxada

Nas terras do Vale do Paraíba

Ouvira na cidade

Que a esposa de um certo matuto fosco

Era a portadora do mais belo rosto

Que ele veria em toda sua vida

Abriu a sua mala para Moacir

E lhe mostrou emplastros e elixires

E, para a senhora, perfumes por um preço camarada

E o fosco plantador de cherimoia

Achou que Úrsula gostaria dessa história

E indicou a sua casa

Que ficava no fim daquela estrada


[Verso 3]

Úrsula, quando viu o cacheiro logo se encantou

Com o seu cheiro de dinheiro

E com conversas sobre a vida lá no Rio de Janeiro

E o vendedor, que era belo de se ver

Lhe prometeu luxo e amor, mas só lhe deu DST

E a moça se perdeu em arrependimento e desespero

Moacir recebeu a notícia de um camarada

No fundo do Paraíba do Sul estava

O corpo de Úrsula, seu amor

Em sua fosquidão ele não entendeu nada

E um ano depois, casou-se com a cunhada

E ainda planta cherimoias nas terras do seu sogro agricultor