Released on November 17, 2017

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Festa de aniversário da Marina, minha cunhada

À noite numa cobertura do segundo andar

De um prédio comercial no centro de BH

Rua Curitiba se não me engano

O chão de laje cimentada rachada mas com frescor de umidade

Embaixo de árvores plantadas no segundo andar de um prédio comercial

Uma piscina verde, dentro dela várias pessoas seminuas

Mesas de plástico azuis e em cima das mesas bebidas, comidas e drogas

Acho que nunca fui numa festa assim

Mas me soa como algum reveillon

A música toca alta e é esquisita, dropo um ecstasy

Cinco minutos depois Benke e Ynaiã me chamam pra comprar mais cerveja

Na loucura eu aceito

Antes de sair vejo uma roda de cadeiras

Jogando um jogo de tampar os rostos

Como um ritual, mas é só Máfia

Ao sair vejo que Benke e Ynaiã saem

Mas também estão jogando o jogo

Quem é o clone e quem é o real?

Ou eles se separam em duas pessoas cada um?

E a quantidade de pares e números dois embaralha minha cabeça

Máfia e drogas

Estranho, pois Marina não é uma pessoa das drogas

Saio com meu par de amigos

E imediatamente esqueço se são clones ou se são reais

É madrugada nas ruas de Belo Horizonte

E só os mendigos e crackudos e zumbis nos acompanham

Estranhamente não sinto medo

Pois não tenho nada a perder

Naquela hora eu já percebia que era tudo um sonho

Ou eu tinha enlouquecido de vez

O trio acaba na casa de uma amiga em comum

Alguma produtora de eventos, não lembro quem era

Minha consciência pesa por conta de eu ter vazado

Do aniversário da minha cunhada e minha namorada provavelmente está chateada

E como estou muito louco não tem como eu sair dali sozinho

Mas os meninos demoram tanto que eu sou obrigado a fugir escondido

Porque se eu falasse que eu tava indo

Eles iam me fazer esperar pra eles irem comigo

Fiz que ia no banheiro, peguei no celular e fui pra porta fingindo atender alguém

Eu tinha celular?

Bem, acabou que desci do prédio e estava do outro lado da rodoviária e tinha de ir a pé

Aparentemente estava rolando um protesto no complexo da Lagoinha

E nenhum carro passava por lá

Muita gente tilelê sentada e deitada no chão

Algumas fogueiras, músicas e violão

Um pesadelo assustador

Juntei minha coragem e pra fugir dali tive uma ideia

Ia pular do viaduto para uma bancada do lado de fora da rodoviária

Subi na beirada de um dos viadutos e pulei

E acabei caindo de mal jeito nos arbustos do lado de fora da maldita rodoviária

Dentro dela, outra quest

Pois ela também estava ocupada e estava lotada de gente e protesto

Um casal me barra e fala que eu devia tá ali protestando também

Não sei se conheço eles mas eles me conhecem

Eu explico que estou numa festa da minha cunhada e... e realmente tenho que ir

A menina de esquerda esbraveja que nenhuma festa é mais importante que a luta

Eu comento que a luta deles vai ser outra amanhã

Pra ela ficar tranquila que na luta de amanhã eu compareço

Os dois ficam putos mas eu consigo fugir deles

Encontro uma escada que dá pro sótão da rodoviária

Que não existe

De lá pulo pra área do estacionamento que dá pra Afonso Pena

Dou graças a deus e digo que nunca mais vou usar drogas

No estacionamento encontro Fefel e ele me diz que tava guardando minha jog

Pego minha jog, como se eu tivesse uma jog, agradeço e vou embora

Já amanhecia e tinha passado umas doze horas que eu tinha saído

Me preocupei se a festa já tinha acabado

Chegando na festa vejo que ainda tá rolando e que todo mundo tá muito louco

Minha namorada não liga de eu ter demorado

E eu falo duas palavras: explico depois

Ela ri e vê que eu não tenho pupilas

Na festa chego perto de Ventura e Cairê

Que estão discutindo algo bobo sobre conexão de aeroporto em Recife

Eles riem e eu rio e dou graças a deus que estou com meus amigos

Mas estou incomunicável

Então me dá um calafrio

Deixei a jog ligada do lado de fora do prédio

Desço com Cairê e Ventura e a jog não está na porta

Eu fico com muita raiva pois ela era a minha jog

Eles perguntam será que ela foi roubada ou será que ela foi multada

O centro da cidade já está pegando fogo com gente trabalhando pra cima e pra baixo

Rua Curitiba se eu não me engano

Do nada, Kennedy chega e me dá uma guitarrada no pescoço

Eu caio no chão e quando olho minha jog que estava pendurada numa árvore cai do meu lado

E eu penso no menino que sonhou com o pokemon dizendo tá tudo bem agora

Eles me ajudam a subir com a minha jog e me preparo pra usar drogas pra comemorar

Mais um dia normal