Refugiados

By Valete

On Contra-Cultura

Released on November 30, 2012

Thumbnail

[Intro - Valete]

Foda-se

Tu julgas o gajo porque ele é gay

E ele tem que de se comportar como se não fosse

Para não ser reprimido

Julgas o teu mano porque ele é excêntrico

E ele tem que de se comportar como toda a gente

Chamamos as nossas manas de cabras

Interferimos na liberdade sexual delas

E elas são obrigadas a auto reprimirem-se

Tu mesmo também tens essa necessidade

De teres isto e aquilo

Que conquistaste isto e aquilo

Porque sentes medo de ser rejeitado

Teres menos que os outros faz-te sentir inferiorizado

Faz-te sentir menor (tchh)

Tu também 'tás nesse baile de máscaras, mano

'Tamos refugiados em pessoas que não somos

Até tu seres elevado o suficiente p'ra aceitares cada pessoa como ela é

Com as suas diferenças

Com as suas singularidades

Vai falar de mudança p'ró caralho, negro

Vai falar de revolução p'ró caralho

Vai falar de liberdade p'ró caralho, man

Isto é o início de tudo

Como é que vamos ganhar esta guerra

Se somos todos refugiados? (man)


[Verso 1 - Valete]

Eu só queria ser eu

Dar-vos a minha espontaneidade

Materializar a liberdade que a minha mente fantasia

Trocar as leis da sociedade, pelas leis da felicidade

Com a minha carta da alforria

Mas vocês refugiados na ignorância

Oprimem a diferença e oprimem a minha independência

Julgam-me, com uma moral que nem é vossa

A moral que nos impuseram e que cavou a nossa fossa

E faz de nós essa massa domesticada

Que vive mascarada só p'ra 'tar incorporada

Eu sofro, quando sou como vocês

Escondo a minha nudez, vocês dizem que é sensatez

Não sei o que quero, nem sei p'ra onde vou

Quando 'tou refugiado nesta pessoa que não sou

Que vive a oferecer sorrisos e esforços adaptativos

P'ra 'tar bem no colectivo

Quando já não aguento refugio-me no meu quarto

Isolado de tudo pa' fugir do vosso contacto

E p'ra poder voltar a ser eu

Entre copos de vodka e a solidão que me desafoga

Depois saio à rua embriagado

Desta vez já desatado, eufórico e reanimado

Refugiado numa coragem momentânea

Celebro a infâmia da liberdade espontânea


[Refrão - Bónus]

Mano, aceita a diferença

Enterra o teu passado, entrega-te à renascença

Diferença é a coisa mais bela da natureza

Eleva-te como Homem vive a tua nobreza

Mano, aceita a diferença

Enterra o teu passado, entrega-te à renascença

Diferença é a coisa mais bela da natureza

Eleva-te como Homem vive a tua nobreza


[Verso 2 - Azagaia]

Nunca estiveste tão distante de ti próprio

Juras amor próprio, ao espelho és o próprio

Dás meia volta e fazes mal a ti próprio

A seguir culpas o mundo e te envenenas com esse ódio

Justificando os teus erros com os dos outros

Matando porque mil já foram mortos

Roubando porque houve roubos

É assim como loucos guiam loucos

Culpando a loucura que inocenta todos

Eu sou bom com os disfarces e vejo que também és

Eu finjo que eu sou eu e tu finges quem também és...

Esse, perfume, essa roupa, esses carros

E como de costume vou julgar-te por esse status

Quantos pretos condenados a falar como brancos

Brancos condenados a f... como pretos

Homens condenados a beber como machos

E na calada da noite a gemer p'ra outros machos

Quantos enforcados por gravatas 5 dias por semana

São vampiros a sugar garrafas aos fins de semana?

Quantos saem à rua, finos e civilizados

E em casa só falam com os punhos cerrados

E quando estiveres já coma cabeça inchada

A pesar uma tonelada, de merda não evacuada

Senta-te com os amigos, e vira uma garrafa

De absoluta hipocrisia e depois volta pra' jornada


[Refrão - Bónus]

Mano, aceita a diferença

Enterra o teu passado, entrega-te à renascença

Diferença é a coisa mais bela da natureza

Eleva-te como Homem vive a tua nobreza

Mano, aceita a diferença

Enterra o teu passado, entrega-te à renascença

Diferença é a coisa mais bela da natureza

Eleva-te como Homem vive a tua nobreza


[Outro - Valete]

(Yeah)

Refugiados

Somos todos refugiados em pessoas que não somos

(Podes crer)

Enterra o teu passado, entrega-te à renascença

(Enterra o teu passado)

Enterra o teu passado, entrega-te à renascença