Audiobook

By Valete

On Aperitivo

Released on January 16, 2023

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[Letra de "Audiobook"]


[Intro: João Tamura]

(Por medo)

Por medo abdicamos de admirar as maravilhosas paisagens

Que existem para além da fronteira do tumor (Por medo)


[Verso 1: Valete]

Ideologia sem ação é fraude ideológica

Orgasmo sem amor é só descarga fisiológica

Eu vim da privação e dos subsídios

Tu 'tás a uma depressão do suicídio

Tenho genes de legionário, sou um génio visionário

Em qualquer género literário

Tenho molhos gramaticais em folhos emocionais

Meus olhos são funerais

Damaia ensina a dureza

Cêntimos a chocar no teu bolso, é um hino à pobreza

Tu ‘tás a uma fala de ser escória

Eu 'tou a uma bala de entrar na história

Rima azeda, não me rebaixo, só perdas onde me encaixo

Não sou de esquerda, eu sou de baixo, claro

Auto-estima dos teus é ópio, só Deus tem amor próprio

Na tuga o meu pai foi só um rafeiro

Só o coveiro é que foi hospitaleiro

Estudam-me como se fossem filólogos

E todos olham p'ra mim como se fossem psicólogos

Sou poeta do motim, a meta não 'tá no fim

Minha meta é chegar a mim, claro

Correrei corrosivo, rei incorruptivo, eu morrerei vivo

Teus sonhos defraudaram, mudaram os teus sonhos

Ou foram os sonhos que te mudaram? Diz-me

Obstinação de Galileu, se eu for como toda a gente

Quem será como eu?


[Refrão: Valete]

Verborreia lúcida é muito mais que música

O verso é o meu batuque

Valete é como um audiobook (Viris, viris)

Valete é como um audiobook (Viris, viris)

Valete é como um audiobook (Viris, viris)

Valete é como um audiobook (Viris, viris, viris)


[Bridge: João Tamura]

Por medo resignamo-nos à mediocridade, à rotina

Por medo prescindimos da verdade

Para nos refugiarmos na farsa


[Verso 2: Valete]

Entre o enfermo e o lúcido, sou o cruzamento

Eu sou eterno, o meu caixão será só um alojamento

Grafia única, não sei onde cabo

Na minha ecografia vês Deus a beijar o Diabo

Beefar é como ter chance com o panzer

Eu não me canso, o V só 'tá ao alcance do câncer

Não papo a tua igreja surda, só papo páginas de Buda

Meu Papa é Pablo Neruda

Um mandamento meu vale 100

Todo o ser humano é escravo de alguém

Quando o ânimo não tem gás, nem vale a pena tentares

Quem tem cérebro, não tem paz

Me'mo sem paz, reino em qualquer hemisfério

Do Íemen ao velho império, do sémen ao cemitério

Pa’ vencer não se vai de iate, tem que ser a nado

Queres um público pa’ amar ou um publico pa’ ser amado?

Limito-me à minha origem, debito

Trago vertigem, invicto como uma virgem

Esteta do R-A-P cosmológico, um poeta não precisa de relógio

Fama a mim não me tolda, fama abre várias portas

O coração abre todas

Não tenho fé em quem governa, sou São Tomé na caverna

Só tenho fé no meu esperma

Deus é orador e audiência

Ausência de evidencia não é evidencia de ausência, claro

Quase me deixaram cancelado

Podia bater palmas mas ‘tava crucificado, Jesus


[Refrão: Valete]

Verborreia lúcida é muito mais que música

O verso é o meu batuque

Valete é como um audiobook (Viris, viris)

Valete é como um audiobook (Viris, viris)

Valete é como um audiobook (Viris, viris)

Valete é como um audiobook (Viris, viris, viris)