Released on October 18, 2017

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Por quarto fases

Perdes quatros faces

E o que é que fazes

Quando esse tempo todo não volta mais?

Em quatro partes tu partes em quatro lados

Sabendo que és controlado

Por algo que assombra o teu passado

Infância, passa de dependência

Independentemente de gente que não tem experiência

O que é a vida?

Pergunta na ciência

E se não obtiveres respostas espera pela adolescência

Faz a diferença não vás pelo que os outros pensam

Pensa com certezas e não por outras cabeças

Hoje é criança e amanhã por natureza, tu sabes

Tornaste adolescente bem depressa

E as brincadeiras já não são aquilo que eram

De qualquer maneira apontam dedos quando erram

Falam menos quando berram

Menos os que esperam

Que a idade também ande de acelera

E tu só andas apenas pela mulher certa

E agora mancas 'tás velho e és uma merda

Com vinte anos sentes que nada te completa

Que tudo é uma treta

E a vida não tem uma meta

E para quem anda depressa, tropeça

Continuando com pressa, escorrega

Se tudo for aprendizagem deixa-me fazer rascunhos

E enfrentar todo este drama com comédia

Mas aos quarenta aprendes outras matérias

Tens filhos e não tens a mesma face dos vinte

A fase dos sarilhos já passaram

Tens uma família em casa

E quem ontem te cuidava

Hoje em dia é cuidada

Enquanto a idade passa

Vagueias no nada para te render luz e água

Com contas que pagas

As mesma que te atrasam os problemas

Como cartas carimbadas que não tardam

Enquanto tu te marimbavas

Os teus filhos já notavam

Que o trabalho tirou-te todo o tempo que eles precisavam

Já estás gasto e de energia fraca

Desgastas-te com fracos e com companhias rascas

Enquanto tu te matas

Não vês quem tanto gostavas

Acabas com um desgosto

E sofrimento na cara

Pensavas que esse tempo te curava essas marcas

Mas essas feridas quando ficam já não saram

Fora as histórias da vizinhança

Que mora ao teu lado

E sabe tudo o que se passa atrás da porta

Já te sentes cota por seguir a mesma rota

Atrás de uma cortina com uma rotina morta

Esperas a tua reforma aos sessenta

Com migalhas que nem sequer te sustentam

Pouco te resta na gaveta e lamentas

Que para andares tu precisas de muletas

E o que era treta

Teve afecto ao veres o crescimento dos teus filhos

No nascimento dos teus netos

Sentir pela distância o que se guarda por perto

Assim como uma lembrança guardada para todo o eterno

Tempo

Mas ele já não te dá conselhos

Agora queres um corpo novo

Por sentires o teu tão velho

Já passaste com três fases

E na quarta fase o espelho que te olhas

Deixa-te um sorriso feio

E tu ostentas que aos oitenta

Uma doença corre mal

Precorres a várias crenças

Numa cama de hospital

O anjo que te salva desse instinto prisional

É o mesmo que te leva de volta a sentir mal

O que te resta são lembranças

Em corrida que não querias

Fossem relembradas só pelas fotografias

O prato que cospias hoje servia de comida

Se um dia tu soubesses distinguir a porcaria

Daquilo que chamas vida

Mas fazes birra

A esperança que tens vai e vem reduzida

O monitor cardíaco

Acompanha a telefonia

Quando apita e se pira mais uma velha cantiga

Tu tentas ganhar forças

Mas não podes colher frutos

O caminho torna-se escuro, sem luz

E com abutres

Que vestem corvos de branco

Para o dia da tua morte

Deus batalha com o diabo

Em troca do teu passaporte

Resta-te apenas raízes

Que são todo o teu suporte

Para teres mais uma fase com saúde se sobrar sorte

E se tudo o que viveste

Origina depois pó

Queres só uma quinta face

Ou uma quinta fase só?

Quantas faces é que tens?

Não é tudo uma fase

És só um fruto

Pensa nisso

Refrão:

X2

Já não tens face

Foi tudo fases

E o que é que fazes

Quando esse tempo todo não volta mais?

Para onde vais?

Nem tu próprio sabes

Foi uma fase

Que tu nem deste por essas faces