Released on November 13, 2016

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[Verso 1: Alexandre PS]

Meu nervosismo não aguenta esse ar rarefeito

Vejo a distânca do mundo olhando do parapeito

Cobras me deram bote pra um mar de defeitos

Sem ser advogado tô trampando direito

E falam mal sempre, tô recluso

Faço amor com caderno, mas à linhas que eu não cruzo

Vende emoções, dependente de ilusões

Só recebo golpe baixo, luto contra anões

Fiz um livro de terror, vai se chamar diário

Moleque leva bala igual bexiga em aniversário

Corações tirei, sem cartas de baralho

Fui no "camin" mais longo, ganhei por não ir no atalho

Em Atlântida, eu acendo labaredas

Sou amante da lua sobre a alameda

Vê se me poupa da sua cassação de tretas

Criam roupas só pra gastação de seda

A lição de casa da vida não resolvi

Ela deu amor e eu não devolvi

Dá o play, mas no som que é bom de ouvir

O mundo não para então eu me movi

Me envolvi ne assunto alheio

Percebi que em mim mesmo eu já não creio

Quero brigar, mas sou pólvora em água

Tento explodir, mas sei tão bem guardar minha mágoa

Mostra a cara, tu não é senhorita Belo

Tô no game e cê reclama que eu apelo

Alma ferida pôs eu me auto-flagelo

Viver cansa igual treinar polichinelo

Peito amassado

Igual latinha pra vender

Vai ser demorado

Mas vou fazer acontecer


[Verso 2: Raphael Warlock]

Não só de alegoria é feita a vida de um mutante

Acaba a alegria tendo menos pró que anti

Diante das dificuldades viso o alto e avante

O rap game é gana e eu sou o antigo império ashanti

Vivendo entre ratos e amizades traiçoeiras

Compreendendo os atos desarmando ratoeiras

Invisto nas olheiras mais pesadas que o mamute

Numa eterna quinta feira comigo não há quem dispute

Eu tento ser input em cabeças despercebidas

Traduzindo mensagens difíceis de ser lidas

Minhas rimas discernidas é o que eu mais quero

Ao mesmo tempo poder pagar a vista e juro zero

Eu juro, sério não é questão de ter ganância

Mas ter um "din" sobrando pra mim tem importância

A distância de realidade talvez te limite

Uma vez que a tua mentira a minha verdade imite

O meu sonho é beat e eu sou o flow

Tentando acompanhar e não estragar meu próprio show

Correndo pra fazer o gol focando na meta

Faço do rap esporte e nessa porra eu sou atleta

Sem patrocínio com mic é latrocínio

Nenhum golpe censura pra vegano eu sou lacticínio

No condomínio eu sou síndico tímido

Lidero porra nenhuma com discurso mímico

Conteúdo enciclopédico pro qual tu nem ligou

Prefere rima onomatopaica porque não estudou

Com golpes de judô eu revido no tatame

Não sou de batalha mas minha punch dá vexame

Ouvindo vasilhame e evitando a morto vivo

Desse mundo real faço universo alternativo

Sempre com motivo ativo o meu viver

Vai ser demorado mas eu faço acontecer