Separar o Mal do Bem

By SUBTIL

Released on May 7, 2017

Thumbnail

Quando nada pega, quando nada inspira

Cabeça segue e rasga a página que se vira

Rasteiras que a vida prega, a barreira de uma mentira

A maneira de como me elevas faz-me ver o que não queria

Não chega paz e harmonia

Quem trabalha noite e dia está farto

E quer mais do bónus da companhia

1000 cromos em caderneta, 1000 drones na vigia

A controlar os passos, queres manter em sintonia

Depois de um dia quente quase sempre a noite fria

Acabo em ambientes onde normalmente não ia

'Tou ciente do que quero, quero o que ontem queria

Criar a cria, fazer o que todo o pai devia

20 anos a cair sem querer, falar sem saber

As atitudes fica para quem as pratica

Tudo o que dás duplica, o karma vai-te fazer ver

Não é o que tens mas sim o que fazes que classifica

Não chega limpar o lixo, matar o bicho

Tens que ir ao fundo, ver a raiz do problema

Ser feliz no meio da vaidade e do capricho

É mais difícil do que orgulhar a cota Mena

Não chega limpar o lixo, matar o bicho

Eu tenho o olhar fixo para o que aí vem

Não chega rezar, tatuar um crucifixo

Tens que acreditar e separar o mal do bem

Já estive perto, eu estive dentro, respondi a crimes

Não foi em filmes que aprendi a lei do Oriente

Hoje estou atento a esta cambada de cretinos

Bovinos bombados (?) que nem a mãe deixam contente

Nada dura sempre ou o meu sempre dura pouco

E eu concentro-me e centro-me em fazer massa para o reboco

Na verdade, a realidade não são putas e água de coco

Eu 'tou na luta, 1000 marcas ocultas pelo corpo todo

Eu quero mais que 500 euros no bolso

9 horas de repouso, dias sem almoço

Eu quero mais que uma corda ao pescoço

Um cinto apertado enrolado ao meu esforço

Há que ser cuidadoso, eu vi muito curioso

A ir e não voltar ao encontrar um sinal luminoso

Um ritual duvidoso, duas carrinhas para 12

Quando um gajo era puto deixava o bairro em alvoroço

Nós crescemos, mas nada apaga a fama que temos

Nós sabemos, não vamos com mais para voltar com menos

Nós corremos, sem nos cansar, sem nos queixar, aquilo que queremos

Fazemos o que podemos para lá chegar

Para lá chegar

Não estudei a gramática, ligação telepática

Nunca forcei a temática, é tudo inspiração

Não encontrei a solução, nunca fui bom a matemática

Sou melhor numa sátira do que numa esquação

Bem-vindo à terra árida, clássica no verão

Uma abordagem válida para aqueles que vêm e vão

Uma paisagem pálida bloqueada pela construção

Vendida a meia dúzia, alugada a mais de um milhão

Vou na turística, a mística porque cá é diferente

A característica que nos caracteriza sempre

A corrente estabiliza sempre

Mas é-me indiferente

Só quero viver bem, rodeado por quem me quer bem

Com quem me quer bem só quero viver bem

Nunca quis viver aquilo que eles vivem