Nada a Temer

By SUBTIL

On Aquém Mar

Released on October 8, 2018

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[Verso 1]

Desde a primeira sessão

Que relato em primeira mão

Uma pulsação aos saltos

Altos voos sem sair do chão

Eu sempre ouvi boatos ingratos

Daquilo que os outros são

Tenho [lidação?] com poucos

E sigilo na ligação

Existe um Nilo que nos separa

E o Nilo não é solução

Tu queres a pele do crocodilo

E eu uma reptilização

Se eu refilo, é falta de educação

Eu não oscilo, boy nem vacilo

Fio-me pela tradição

Eles rezam para ver se descarrilo

Mas lido bem com a pressão

Eu nunca fiz nada daquilo para obter atenção

Sempre vive sob tеnsão, eu vi a vossa intenção

E entеndi que por aqui

Só se fores filho do patrão

Eu partilho, planto a fé

Fora da organização

Sem favores da santa Sé

Vou a pé para a minha estação

Tenho nas fontes um Tomé que me guia

Na escuridão que me vigia

Enquanto eu subo o pé de feijão do João


[Refrão]

Eu vim sem nada a temer

Caminho é um, mas há tanta estrada por conhecer

Se parar é morrer

Eu vou correr até alguém me apanhar

Eu fico bem só por cá estar

Eu vim sem nada a temer

Caminho é um, mas há tanta estrada por conhecer

Se parar é morrer

Eu vou correr até alguém me apanhar

Eu fico bem só por cá estar


[Verso 2]

Viajo no beat, reajo ao que vivo

Motivo é o mesmo todos os dias

Já tive a força, a minha esperança que me lança

Por entre as guias

Vi a da esquerda, vi a direita

Respeita o chão que tu pisas

O diabo também é crente e está presente em todas a missas

Não oiço notícias, farto de balelas

Eles querem trelas em tudo que morda

Quem viu o mundo atrás de uma janela

Tem na secretária um caralho que a foda

Cá fora a vida não poupa

Demora para ser lucrativo

Eles querem que o Benfas ganhe ao Arouca

Enquanto eu só quero uma tuga livre

Eu tive planos para a fuga

Ajudei é que eu nunca tive

Mas o jogo muda, fé no meu buda

E não me deixo a cena cativo

Eu vivo no ativo e é 100%

Só para o que importa realmente

Constantemente na linha da frente

A minha missão é ser combatente

A minha decisão é ser leal à vertente leal

À minha gente perdido no litoral

Escondido no sítio de sempre, com o vício de sempre


[Refrão]

Eu vim sem nada a temer

Caminho é um, mas há tanta estrada por conhecer

Se parar é morrer

Eu vou correr até alguém me apanhar

Eu fico bem só por cá estar

Eu vim sem nada a temer

Caminho é um, mas há tanta estrada por conhecer

Se parar é morrer

Eu vou correr até alguém me apanhar

Eu fico bem só por cá estar


[Verso 3]

Dou a dica no cuz', eu vou no meu bus

A fazer o lance por todo o lado

Se alguém der a chance

Eu vou no balanço até conduzir um articulado

E se alguém me ouvir

Até parece que tou a conseguir tirar um bom ordenado

Mas um gajo mente

É melhor seguir, rir e fingir que é bem pago

Não me preocupo com trabalho

Não falho no que me mandam fazer

A vida é love meu puto, e os ricos nunca o vão ter

Só peço saúde, a atitude é o escudo certo

Na hora H não há Deus que ajude a encontrar água no deserto

Eu já vi o fim de perto

Mas no fim vim a pé com o dread

A foder os sinais de trânsito

Tinha uns 17

Até hoje eu sigo o cântico semântico

É tudo orgânico

Lusitânico, e que este Atlântico inspira o meu rap

Inspira o meu verso

Enquanto eu converso comigo próprio

Eu falo para dentro, fuck you

E o sangue corrói o ódio

Uns quantos estão na zona

Só para ver passar o comboio

Só para dizer mal dos outros

Só p'a aparecer no episódio


[Refrão 2]

Não tive sorte no amor

Nem sorte no jogo

Não sinto dor ao primeiro corte, eu corto de novo

Eu corto a alma, corto o corpo

Pouco a pouco vou dar o meu sangue

Até me faltar o fôlego

Não tive sorte no amor

Nem sorte no jogo

Não sinto dor ao primeiro corte, eu corto de novo

Eu corto a alma, corto o corpo

Pouco a pouco vou dar o meu sangue

Até me faltar o fôlego


[Verso 4]

Da maneira que a dor vem, também vai

Só não consigo ser bom ator

E fingir as merdas

E acabo por ferir as pessoas que me querem bem

Porque nunca fiz as escolhas certas

O ser feliz depende de ti

Pensa e para

Eu parei e pensei, escrevi com lágrimas na cara

Borrei a folha toda

Agora a tinta não agarra

As palavras que eu sinto, enquanto a solidão me ampara

Quem me encara, repara

Pergunta "João mas que vida é a tua? Não paras e quando descansas, acordas com a lua"

Eu tou sempre bem, boy

A vida continua

Nem que seja no mesmo bairro às voltas na mesma rua

Fui de cá de baixo

Dum fogo cruzado, dum campo minado

Onde não tens voto na matéria

Por causa da idade

Onde a escolaridade são matérias com pouca verdade

Acabas a faculdade, caixa de supermercado

Talentos desperdiçados, eu já vi uns quantos

Uns quantos manos dobrados, roscados, jogados para canto

Por isso aproveita o teu dom

No desenho, no som

Garanto que criar algo grande não custa assim tanto

Acredita, nunca pares, já alguém deu essa dica

Não te percas nos olhares que trocas com outro dinheiro

Aprende a ser verdadeiro, todos te dão essa dica

Quando enganas os outros, enganas-te a ti primeiro

E eu nunca fui de ouvir dicas ditas por um parceiro

Tenho de ir, vir, cair, levantar-me dos erros

É tanta merda escrita

Que eu já nem sinto o cheiro

Mas sinto na pele a consequência dos exageros

A vida é vida no dia em que tu entenderes

Aceitares que tudo um dia chega ao fim

Dei voltas entre o bem e o mal

Tristezas, prazeres, sem saber que o fundamental

Estava em mim

Há quem diga que sou talentoso

Há quem diga que sou preguiçoso

Há quem diga que sou perigoso

Mafioso quando a verdade é que eu sou de pele e osso

Suor e esforço

Até hoje ninguém teve mão no cabrão do moço

A cota está feliz

Diz que a mais baixinha esmerou-se

Conseguiu meter-me na linha

Desviar-me da linha que todos cheiram

Só com aquele perfume que ela trouxe

Terminei o esboço, agora dou uso à arte

No palco as veias saem do pescoço como se fosse ataque

Cardíaco mas tenho as forças do zodíaco comigo

A guiarem-me por toda a parte


[Refrão 2]

Não tive sorte no amor

Nem sorte no jogo

Não sinto dor ao primeiro corte, eu corto de novo

Eu corto a alma, corto o corpo

Pouco a pouco vou dar o meu sangue

Até me faltar o fôlego

Não tive sorte no amor

Nem sorte no jogo

Não sinto dor ao primeiro corte, eu corto de novo

Eu corto a alma, corto o corpo

Pouco a pouco vou dar o meu sangue

Até me faltar o fôlego