Game Over

By SUBTIL

Released on April 19, 2020

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[Verso 1]

Há quem me queira enrolado nas cordas do violino

Mas o marroquino trocou-te as voltas

Fechei as portas

Ao mainstream

Anda ao under ver como isto anda

O rap tuga é uma merda, eu afirmo

O que é que eu faço ao dream que tenho desde puto

Se eu sonho com o que rimo e rimo sobre tudo

Talento clandestino, rap em estado bruto

Sa foda o teu primo, os teus contactos

Eu estou firme dá-me palcos

Tipo que isto é tiro ao pratos, não quero matar candidatos

Enquanto houver saúde, somos gratos

Meu puto eu não mudo por lucro

Tenho o meu produto em todas as cidades

Mas pelo o meu estado de pureza

A droga não chega a todas as idades

Nunca estive tão certo das minhas qualidades

Nem andei tão perto de certas celebridades

Mas eu nunca forcei nada, nunca paguei nada

Que me levasse a ter novas amizades

Estou à beira de iniciar carreira por cá

Ou apanhar carreira p'ra Quinta do Poço

Mas o autocarro nunca passou por lá

2 dias depois vá lá que alguém me trouxe

Até ao portão do salão Valhalla

Onde a morte e a vingança partilham a sala

Onde a escuridão é o sol natural

P'ra todo o animal que acorda numa vala

Bala! Bala! Bala!

Meu tropa na Suíça nem português fala

Ansioso por voltar, não desfez a mala

Há quem corra o mundo à procura de paz

Quando sabe que no fundo nunca vai encontrá-la

Porra não tenho um tema certo

E certezas só tenho acerca disto

Isto faz com que eu me liberte

E com que a minha vida mantenha um registo

Dizem que o futuro promete

Yah! Se calhar ainda arranjo trabalho

Porque esta ideia de viver do rap

Tem muito Valentim de Carvalho

Huumm e isso não me soa bem

Prefiro que seja 50/50 por cada nota de cem

Aquilo que aparentava ser um contrato p'ra vida

Era um jogo de quem é quem

E de quem é a culpa

De quem é a luta sem ser minha

Se eu não me esforço

Posso até rezar o Pai Nosso

Que nem faço um vaquinha

Hoje agradeço a quem não me ajudou

Quem me pôs de lado, nem reparou

Que o pobre coitado tem o diabo no corpo

Como o padre que o baptizou

Eles vão à bruxa p'ra saber o futuro

'Tão a ver que a macumba nunca funcionou

Aquilo que me puxa eu misturo com o que sinto

E no fim eu só brinco com o flow

Por eles não cantava nem andava na via

Ficava onde estava e ninguém me ouvia

Emigrava p'ra ilha ou morria na praia

Se fosse essa lábia nem o Álbum saía

De kaya p'ra kaya até queimar a fita

Quem acredita dá força à minha dica

Quem sabe, sabe que aquilo que se aprende

Em casa na rua não se aplica