A Receita

By SUBTIL

On Aquém Mar

Released on October 8, 2018

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[Intro]


[Verso 1: Tom]

Eu passo os dias no Algarve

A ver como aqui nada muda

A qualquer momento um alarme

Em qualquer móvel, uma escuta

A criançada a viajar

E a pita quer virar adulta

Em qualquer dia

Ate p'a respirar tens que pagar multa

Dreads hoje pensam que este rap vai dar capital

Mas pensaram mal

Isto compensa para quem faz anal

Eu sempre fui o puto normal que come o instrumental

Ao pequeno almoço

Em vez de comer cereal

Mic, check

Ganda Praso, deu-me o toque

Ganda beat

Props Subtil

Boy isto é real hip hop

Nah, isto não manda no teu bloco

Nem vai 'tar no top

Mas é suficiente para mostrar que a gente pode

Sacode, é tanto byte, my god perdi o hype

Mais logo vai 'tar no site

E ainda pode passar na night

São dogs mas sem açaime

Só que têm todos trela

['Tão bored?] mas não dão grind nem no ferro da fivela


[Verso 2: Subtil]

Eles vão dizer que é mentira, miúdo

Vão perguntar de onde é que ele tira tudo

Enquanto ele sampla

Pus na lâmpada, já o vi esconder o que produz

De putos que deviam estar em câmara ardente

Fechados a arder para sempre

Mas desculpa, nunca irá haver lugar para tanto filho da puta

E no Algarve, o único bónus que há

É que nada muda

Seja um quarteto fantástico, um trio ou uma dupla

O vazio que se sente em cada letra

Ao ouvir quadrúpula

Isso é só skill [ícone?] natural

Para mim é gorduroso

O Tom deu a receita mas ninguém come o nosso pequeno almoço

Almoço, jantar

A minha ex diz que tenho que me tratar

Só falo com papéis e canetas

Desde que acordo até me deitar

Adoro madrugar, brincar com a sorte

Até criar um vocábulo original

O meu bigode já o tinha

Antes de conhecer o Pablo

É normal, não sabes o que eu vivo

Não percebes o que eu falo

Oh Praso, para eles mete a caruja na jaula e solta o galo

Hala


[Verso 3: Mass]

Tenho visto uns quantos putos que só querem conversa

Querem comer à nossa mesa

Mas a mama já acabou

E se eles nem sequer têm bem a certeza

Se é isso que lhes interessa

E afinal já lhes passou

Mas eu sou quem o rap se viu a entregar

Já pus a vida em linhas

E eles quiseram-nas soprar

E quem são eles para nos julgar?

Tiveram tanto tempo de fora

Quem lhes pediu para voltar?

Vê como isto anda

Viraram só propaganda

Nem tocam no pequeno almoço

E querem se fazer à janta

(Eles não têm fome para isso)

Há que justificar a pança

Somos puros como cubanos

A pôr química na balança

Já viste que à vossa pala

Que isto nem sequer avança

À espera da bonança que nunca vos há de chegar

Nossa receita tem fragrância, longe de tanta ignorância

Se alguém disser que eu parei no tempo

Acham que fiz mal?


[Verso 4: Realpunch]

Tu-tu-Tunes city

Quando cuspo tudo, dizimo

Cuida lá do físico

Não vale nada no meu mundo psíquico

Esta é a minha casa

Bonecos é claro que arrumo easy

Faz as contas, tudo o resto

É resto, nenhum dos triunfos divido

Isto é o mínimo lírico

Que insiro e aplico num mítico flow

Já tu és fatídico, cínico, mini como um Pinipom

Com o que eu tenho escrito, dito

Fico no Olimpo

Ouve as provas dadas

Se não o reconheces mete o MiniSom

Sopa de letras logo ao pequeno almoço

A minha receita é incomodar esses fakes como um caroço

Falam que não têm views?

Metem a culpa na mensagem

Ninguém vos mandou ir em frente na curva de aprendizagem

Sempre busy em cima de instrumentais

Não preciso de tocar ao vivo

Para veres as credenciais

El Gordo

Voltei no auge, depois de cultivar a mente, eu vim semear o caos