A Besta

By SUBTIL

Released on May 7, 2017

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Nascido e criado no Algas

Trago a terra sempre comigo

Eles vão-me ouvir quer queiram quer não

Eu 'tou munido e decidido, na paz, na guerra estou contigo

Desde que seja para meter no mapa toda a região

Mas eu já vi que isto aqui anda tudo ao empurrão

Está tudo a querer ser o barão da festa, o patrão de orquestra

Só resta a emoção de cantar letra e o refrão

Mesmo que não seja desta que acabe a palestra

Eu ando a treinar a mira em cada tiro da besta

Até que acerte, até que ganhe ou perca

Estou a dividir o cheque, não chega encher a cesta

Tens que ter o amigo certo, não chega bom rap

Tens que ter os dreads de perto, sentir a back

Fluir o beat, ir e voltar sem perder valores

Não há cores, aqui o papo é reto dê ou não dê certo

Eu subo e desço e já nem sinto as dores

Tragam flores, preciso de enfeitar o meu dia

A minha maneira de ser requer companhia

Até que a vida se ria, até que a morte queira

Eu luto e acredito a minha fé não é passageira

Eu 'tou com tudo mas raramente bate certo à primeira

E primeiro que acerte estou certo que dá asneira

Nunca estive tão perto de ganhar mais que bar aberto

Mas só liberto as cordas vocais se for à minha maneira

Já me cheira a merda, eles querem fama com um clip

Tipo que tentam tudo para ver se um vídeo dá guito

Eu sempre fui freak, vaguear na streat, ir ao limite

Identificar-me no beat, deixá-lo repeat

Alimentar o beat

Eu sinto os sinais

Não chega um palpite, que um gajo dita mais (?)

Oiço um ruído pelos quintais numa noite que assopra

De porta a porta, algo para inspirar a obra

Aqui a vida cobra, mais que um molho de notas

Se não te esforças ficas pelo caminho

Um ninho de cobras, um cantinho e sobras

Cuidadinho com as manobras ou viajas sozinho

Muitos só vieram pelas gajas e pelo vinho

Toda a rosa tem espinhos e eu vi muitas baixas

O passado está guardado nas caixas todo arrumadinho

O meu presente é circuito fechado em todas as faixas

Nunca estive desligado, não consigo estar calado

Tenho aguardado porque me foi prometido

Eles partilham o estado, pensam que o jogo é do meu lado

Mas eu vivo concentrado com o (?) no ouvido

Sei quem esteve comigo na altura do perigo, na altura do artrito

Em cada aventura que me tenho metido

Eu estou nisto para o que der e vier, não desisto como um qualquer

Se der deu, se não deu estou cá na mesma

Tragam batidas porque rimas tenho à resma

E mesmo que a inspiração um dia se vá

Tenho rimas num cofre e umas quantas histórias por lá

Memórias de algum bar, um sonho nalgum lagar

A vontade de um ser comum de ver isto mudar

Uma mudança que não chega, uma balança que não pesa

Alguém que reza, mas a verdade ninguém confessa

Um jantar que alguém confeciona depressa

Um amanhã que proporciona mais conversa

A mim só me interessa ser eu, correr pelo meu

Não tenho horas de liceu, foi a rua que me fortaleceu

Tanta vez ouvi dizer isto é até queimar pneu

Isto é para quem rangeu os dentes cada vez que um gajo rompeu

O ultimato é meu, o ultimato é teu

Não choveu do céu, nem foi por trás do véu que apareceu

Se eu não matar o beat, matem-me com ele

Hoje eu mato ou morro com ele

Mais um porro que me inspira, que me tira do gelo

Até que o público confira e diga "talento nem vê-lo"

Mas eu nunca fui por eles, nunca fui por eles

Segui a calha sem falha, hoje baralho o jogo deles

Espalho sangue na tarola, limpo o suor à camisola

Mas nenhum passe me isola para fazer um golo daqueles