Rita

By Strata G

Released on January 2007

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Tinha apenas 7 quando tudo aconteceu

O pai aproveitou-se e ela nem se apercebeu...

Rita, era a menina mais bonita

Flor em crescimento, a pura dolcevita

Durante a noite, no quarto ela via vultos

Rita, bem-vinda ao mundo dos adultos

Este foi o primeiro de muitos abusos

E quando o tempo passou, deixou vizinhos confusos

As idas ao hospital passaram a ser frequentes

Pois, acabavam em soro, marcas e tratamentos

Mas, Rita foi crescendo e guardando essa dor

Num sonho incolor cheio de raiva e rancor

Na vida a preto e branco, onde o preto predomina

Rita, a menina lá da esquina

O tempo passava e a menina não sorria

Porque, ela só chorava quando o pai a possuía

Porque ela só rezava pra que tudo acabasse

Esse bandido trouxe-lhe um olhar basso

E a stora dizia que ela andava distraída

Podera, vivia com um suicida

Quando dava o toque da campainha

Ela não queria ir pra casa e muito menos sozinha

Agarrava em lápis e pintava no caderno

Uma casa com a morada do Inferno

O código-postal era o 666

Onde o Diabo a penetrava e ditava todas as leis

A TV da vida, onde se vê nu e cru

Não pintava o pai, ela pintava BELZEBU

Pintava uma mãe imaginária a dourado

Imagem rotinária, ver o pai embriagado

E a palavra de ordem, agora

É sobreviver, porque ele não quer saber

E já nem lhe dá de comer

Não se preocupa, Já nem se importa com ela

Rita, é um insecto vista à lupa, numa sela

Forçada a crescer nesse clima hóstil

Juntamente com uma besta, que adorava esse estilo

Um triste, que não tinha outro nome

É triste... Porque ele ainda tinha fome

E não te enganes que não é comida de mesa

Porque ele era o predador

E a menina era a presa

Assim acontecia, não falhava a 6ªfeira

Cumpria a professia, com Cristo na cabeceira

Mas, além da 6ª, já era habitual...

Toda a semana, era o puro ritual

Mês, após mês

Ano, após ano

Vez, após vez

Ele tornou-se profano

Olhava-se no espelho

E adorava o que via...

Rita, olhava o espelho

E detestava o que via!

Sentia-se inferior

Um olhar adormecido

Num filme de terror

Que não queria ter conhecido

O pior é que esse cobarde

Guardava o massacre em cassete

Filmava tudo, no fim publicava na net

Mas Rita aguentou só até aos 17

É melhor ouvires o resto, boy, porque isto promete!

Um dia chega a casa virada do avesso

Pôs a mala no chão

O peito ela pôs o terço

Rezou a Deus e antes de tudo

Pediu perdão

Ela tinha medo, mas

Tinha convicção

Com uma faca na mão

À espera que ele entrasse

Queria acabar com tudo

Antes que ele a penetrasse

Ele abre a porta e diz:

"Desculpa o que tenho feito!

Mas com a morte da tua mãe

Eu perdi o teu respeito

Nunca fui perfeito

Perdoa-me ter-te tocado!"

Ela espeta-lhe a faca e diz:

"Tás perdoado!"

Isto é pra toda a gente que já foi abusada por esses

Parasitas

Porque há por aí muitas Rita's!