Released on October 31, 2020

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Munido de Beretta e caneta

Nossa luta ainda é maior que o luto

Os porcos querem as pérolas, matam por cédulas

Nossas lágrimas pra eles são produto

Fruto do sofrimento que nós conhece bem

Nosso sangue adubou esse chão

Livres não somos, desde os cromossomos

Até o tênis que eu uso cheira a escravidão

Ainda são eles que controlam o estado

Os senhores de engenho, os latifundiários

O gringo imperialista que vê a gente como escravo

Por isso minha existência é um ato revolucionário

Isso é como um jogo de xadrеz

Onde o inimigo é o estado burguês

Só que agora chеgou nossa vez

O dia dos peões esmagarem reis

Queimam museus, fogo na Amazônia

Queima Notre Dame que é pouco pro clero

Demônio sonoro, anti Bolsonaro

Que o império queime e eu componha, sou Nero

Cada soneto tem linhas de socos pra salvar quem tá nas linhas de fogo

Tô pelo meus, fuck the police, foda-se os político, isso não é jogo

Pensa um pouquinho ai e me fala sinceramente

Quando foi a última vez que tu disse algo decente

Cê não mereceu, quem trabalha paga

Essa vidinha, um conto de fardas

Saiba, quem sofreu não tem cabeça fraca

E a tua conta ainda não tá paga

São longos anos de dominação

De lutas e sangue no chão

Pra que chegue um filho da puta

E chame o golpe de revolução

1-9-6-4

Fake Brasil pra burguês safado

O braço do governo tá armado

E de repente no domingo tu termina fuzilado]

Tão tentando avisar

Mas precisam ser vistos como igual

Tem uma corda no teu pescoço

E tu chupando o "Bozo" que nem um halls

Desculpa se eu falar o óbvio

Me chame Leandro Karnal

Mas toda essa culpa acumulada

Veio pra cá com Cabral

Enquanto o sistema pega fogo eu componho

Pois minha composição ajudou a queimá-lo

Imperialista bom pra nós é o que já tá morto

O dia vai chegar, o dia há de chegar

O lado sul do mapa reveste-se de sonhos

É os mano do meu bairro contra os boy de Chicago

Mal sabiam que junto dos meus manos componho

O dia vai chegar, o dia há de chegar

Da periferia do mundo onde super exploram

A força do trabalho preto

Onde a cada passo que “nós” dá

A revolta se torna o centro

O coração do império pulsa

O sangue que escorre é negro

Foda-se vocês e o seu lucro

Privatiza meu dedo do meio

Cada letra escrita entre a labuta

Pra nós é como a tomada de Havana

Não planejar e agir por instinto

É um dos pecados da guerrilha urbana

Mais três “guerreiro” anticolonial

Mostrando qual a força de ser nós por nós

Sem dó menor, os condenados da terra

Vão tombar burguês, efeito dominó

Deixa queimar enquanto nós compõe

Porque o capitalismo nunca vai ter cura

Hoje minha vida de artista operário

É uma longa história de amor e fúria

Enquanto o sistema pega fogo eu componho

Pois minha composição ajudou a queimá-lo

Imperialista bom pra nós é o que já tá morto

O dia vai chegar, o dia há de chegar

O lado sul do mapa reveste-se de sonhos

É os mano do meu bairro contra os boy de Chicago

Mal sabiam que junto dos meus manos componho

O dia vai chegar, o dia há de chegar