Eu Vim de Longe

By Sid

Released on May 22, 2020

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[Verso 1: MC Sid]

Eu vivi preso a 7 chaves, por 7 correntes

Em baixo do paraíso, a 7 andares

Me libertei tem 7 dias e agora sobram 7 vidas

Pra mandar 7 pecados pelos ares

Minha mãe me teve há um pouco mais de 7 meses

E acendeu 7 velas no meu 7º aniversário

Rezou pra 7 Deuses, 7 vezes, pra não me ver a 7 palmos

Por isso eu não cético, ô, caralho

Agradeço a Deus pela minha liberdade

Conquistada, sofrida, merecida e nunca me dada

Lutei igual a um condenado

E pra você que atrasou meu lado: muito obrigado por nada

Liberdade é uma palavra delicada

Pra muitos é almejada, pra poucos é concedida

O trabalho gasta o tempo e a igreja rouba a alma

O Estado esconde o dinheiro e o amor te tira a vida

Já trombei alma invejada, já salvei alma perdida

Minha cara é sofrida mas minha palavra é sagrada

Igual comida na quebrada, não se desperdiça nada

Sempre se aproveita tudo, na cozinha e na batida

Quando eu deito eu tô sem sono, quando acordo o sono sobra

Eu canto a desconstrução, me sinto um mestre de obras

De fato, não passamos de marionetes

A pergunta é se você também consegue enxergar as cordas?

A vida não se trata sobre a linha de chegada

Se trata do crescimento ao longo da estrada

Será que valeu a pena o esforço da tua caminhada

Ou tu preferia ter ficado em casa?

No rap quem filosofa é promovido

Só faz música envolvente quem se mostra envolvido

Cês vivem como se nunca fossem morrer

Por isso cês morrem como se nunca houvessem vivido


[Verso 2: Raillow]

Ahn, ahn, ahn, yeah

Aí, Sid, SP e BSB, yeah, yeah, yeah, yeah

Eu vim de longe, desci da nave

Pisquei pra ela, vendo miragens

Vendei seus olhos, não se preocupe

Cê tava certa e era verdade

O mundo prende, cê sabe, e a revolta fica em nós mesmos

Fumo um verde velho da vida nos palcos do país inteiro

Vendados, vendo todos indo pro desespero

Vem tranquila, que hoje o resto vai ser só um detalhe

Nevou, ficamos frios com o coração na palma das mãos

Visão de tudo, do alto do morro

E falou que sem minha voz o mundo é um barulho

Que meus investimentos trariam o mundo pro meu bolso

De um lado e pro outro, ansioso e nervoso

Trouxe palavras em uma carta pra explicar pra minha moça

Que armas são abaixadas, não se leva nada a força

Escalei com a própria forca que mataria no poço

Eu vim de longe, desci da nave

Pisquei pra ela, vendo miragens

Vendei seus olhos, não se preocupe

Cê tava certa e era verdade

E eu vim da onde, visão da laje

Liguei pra ela, mas era tarde

Vendei meus olhos e fui pra luta

Cê tava certa, sem liberdade