Released on 2001

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[Refrão]

Me lembrei que eu fumo, injeto, cheiro dinheiro

Em cápsulas, seringas, filas brancas no espelho

Pra suprir necessidade do meu bolso eu vejo

Eu vejo, eu vejo, vejo o dinheiro (2x)


[Verso 1]

Que Deus me dê dinheiro, faço o que for preciso

E que ele me ajude a encontrar meu paradeiro

Pois aprecio e venero o poder de um papel

Eu enlouqueço, sinto calafrio

Quase todos são como eu

E eu creio e insisto

Que é possível resistir a esse castigo que veio

Assisto a morte que ele traz e mesmo assim aceito

Dinheiro, um navio que traz consigo milhões e milhões de pesadelos

Demônios convictos, crentes de sua vitória

Eu vejo

Notas manchadas de sangue e racismo

E ainda assim eu quero

Como algo perfeito, um petisco

Azedo, contado por ele

Todo mundo, até eu me arrisco

Me diga

Se é maneiro trabalhar o dia inteiro e não subir na vida

Se não tiver ele como amigo

Pode parecer tão normal que eu me esqueço que é esquisito

E ser trapaceiro ou escravo é o requisito

Pra chegar nesse serventeiro maligno

Olhos grandes e vermelhos avisto

Criador desse item porque queimam olhos neutros e mistos

O bem e o mal

Eu corro atrás, acelerando, eu nunca freio

Vidro quebrado no corredor, sangue escorrendo por debaixo da porta

Mais um viciado por dinheiro trocando a sua dor por aquela droga

E eja como for, carrega tudo de flora

A pistola, preocupado e pensando no dinheiro que sua mão vai por

E só espera que tudo de certo na hora


[Refrão]

Me lembrei que eu fumo, injeto, cheiro dinheiro

Em cápsulas, seringas, filas brancas no espelho

Pra suprir necessidade do meu bolso eu vejo

Eu vejo, eu vejo, vejo o dinheiro (2x)


[Verso 2]

Aquele tal Deus que nos veste com calçada

Fazendo quase todos idolatrarem

Fazendo os infiéis sofrerem com isso também

E pelo roubo se vingarem

Fazendo os ricos disso soltarem, disso gostarem

Os que tão no começo se viciarem

Diferenciando semelhantes e os fazendo não mais se misturarem

E acharem que são superiores pela droga que nisso botaram

Insisto em destaque, que blindos[?] (rraasshh) de armas parem

Não mais trabalhem, se drogarem

Mas eu digo que não, escapo desta tentação

Ter dinheiro na mão como os irmãos que eu já vi com armas, intenção

Prestando atenção nos tiros de rojão

Sangue de mãos pobre, morto ali no chão

Grana é o cabo condutor que nos leva a um outro vicio

Onde nomes como Hilfiger, GAP, Ralph Lauren de algodão

Provocam alienação inteira de uma fase inteira, nação

Preocupação, desocupação

Um homem dormindo

Escondendo seu vicio em baixo do colchão

E eu me vejo nessa situação, sem ficção

Aceito a mim mesmo e repito, melhorando a dicção

Em cima do dinheiro como esfinge estão os deputados

Homens mortos trabalhando no cemitério

Palitando o governo, mistério, rindo sério

Muito dinheiro para tão pouco crédito

(Tão pouco crédito)


[Refrão]

Me lembrei que eu fumo, injeto, cheiro dinheiro

Em cápsulas, seringas, filas brancas no espelho

Pra suprir necessidade do meu bolso eu vejo

Eu vejo, eu vejo, vejo o dinheiro (2x)


[Verso 3]

Talvez minha mãe devesse ter me deixado de fora dessa boca

Perto de tantos homens, estragando sua vida por grana

Em quantidades loucas

Sendo que poucas pessoas tem com ele uma vida realmente boa

Marinheiros entrando de gaiato num navio

Que vai a pique pela proa

Um rombo na poupa

De olhos abertos mas não mais espertos

Tendo cuidado pra não fica a toa

E o certo é que até eu me drogo com essa porra

E me afeto com esse objeto

Que faz o trajeto na minha corrente sanguínea

E o meu cérebro

Isso me atordoa, vejo o dinheiro, minha mente voa

Que o barulho de uma simples moeda em meu ouvido ressoa

Por grana porque cê vicia

E foge de cada homem que amou-a

Não existem gangsters

Todos são mercenários, ainda que briguem por poucos trocados

Onde apenas os viciados brigam por fatos passados

Ainda que todos os motivos sejam errados

Todos aceitam o ditado no formato aumentado

Que diz que os espertos aprendem dos otários

E mais uma vez o fazedor de escravos, homens viciados

Se mostra a arma, parando o coração de empresários estressados

Pobres coitados, homens bastardos que respiram com infelicidade

Sem razão pro seu trabalho, sem razão pro seu trabalho

E eu também sou viciado, e eu também sou viciado


[Refrão]

Me lembrei que eu fumo, injeto, cheiro dinheiro

E caço as seringas, filas brancas no espelho

Pra suprir necessidade do meu bolso eu vejo

Eu vejo, eu vejo, vejo o dinheiro (2x)


[Outro]