Released on December 8, 2020

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[Verso: Séthique]

Cruzei o quarto até à ponta, andei cem metros pela sala

Ninguém me cala, a minha sola não se gasta

Sozinho em casa, reserva de Malaca

A minha inspiração não tava, eu tava fora

Bora... Não me tranco novelas

Fora d'horas, sei quem espreita da janela

Nada... Eu sei que não se passa nada

Desço a rua do népia, não passa um carro na estrada

Procuro a minha malta, sei aquilo que faz falta

Encontrar a calma da alma na minha palma

Gente que não me interessa, nem vai haver conversa

Evito o que me stressa, hiperativo de nascença

Yeah... Observo o tempo pelas sombras

Não há refeição mas a barriga não ressona

Enquanto a minha noite cai, fiz um labirinto no cais

Perguntam-me p'ra onde vais, já querem saber demais

Yo... Dos anos de oitenta parte um desejo

Pensar do meu lugar como sonhar a vida toda

Minha cabeça em paz até eu sentir que tou sozinho

Lugar marcado p'á minha mãe num paraíso

Terra de gente artista, orgulho de ser autista

Notícia até sem guita quando a cena se complica

Fia-te não faço nada, vou-te contar um segredo

Tantas rezas, o que esperas é capricho

Difícil não te quebra como o fútil que te compra

Fácil é ser nobel e essa gaja dá-te a volta

Aquilo que parecia fácil, agora não faz sentido

O mesmo problema p'ra tantos indivíduos...e

Agarrei firme são flashes que me definem

Vidas incríveis vividas em outros sítios

Acredita na química p'ra se resolver a fórmula

Verdade não chega, falta sempre qualquer coisa

Acerto as contas com dois minutos de utopia

P'rós assuntos de máfia, eu tenho primos na Sicília

Dispensei o crisma para o risco de imprevisto

Tá provado que o bongo é p'a esqueceres o vício

Se não me evitas, sou magnata em zona fresca

Mil e um dias a fazer estágio p'ra ficar tudo na mesma

Brinco com o sucesso, faço de propósito

Perdi-me num espaço que nunca sei como se volta

Ouvindo zumbidos de vir chupar na minha deixa

Gente que fuma até fazer drift em borracha

Recado dotado do fado que conta a história

Passado ao contrário, a feira negra p'ra esses porcos

Sem ser visto, desperdício que se passa

Ressacas de prazer e sem amor na minha cama

Brio de assassino, à deriva como um vírus

Antes dos trinta fiz um livro

Volto à minha página, a minha página dá voltas

Risquei cinco do bloco, vou-me dedicar à batota

Subir a fasquia, apostei tudo na minha sorte

Minha vida tá benzida pela minha bisavó

Sinto-me cinzento, não sei o que tenho por dentro

Milhares de pensamentos, dentro e fora do tempo

Depende do que pensas ou que pensas que penso

Penso demasiado intenso para o senso deste movimento

Não me vendo, tenho a dica que ofende

Direto com toda a gente, há sempre quem não se lembre

Uma beca mais à frente como se fosse um vidente

E o que o que tu pensares amanhã

Já tinha dito há mais de dois meses

Todos dias penso verde, habitante de Vénus

Comunico, é mensagem, tou a falar p'a vocês

Vi de tudo neste mundo e nem pergunto o porquê

A minha metade é a tua mentalidade

Nem é um quarto daquilo que vou ser


[Scratch: DJ Sims]