Released on May 31, 2020

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Esqueci tudo como era antes

Não deixe a luz do sol mais entrar

Toda esperança já tá tão distante

E nem no sonho cê vai encontrar

Não vejo os dias, as horas é tão pouca

Veja o dia nascer e passar

Olhando pro além, em estrelas me perco

Tudo tão pálido, não quero voltar

Raios de luz já não vejo

Faço meu último desejo

Já não sei o que é mais medo

Algo me mata pro dentro

Ouve mensagens do vento

Ou você atento

Deus não resiste o tormento

Pois eu resisto o tormento

O tempo passa, tudo apodrece

Já não sinto o dia em que aqui amanhece

Falsa sensação, preso numa ilusão

Nem o meu próprio reflexo sequer me conhece

Me sinto morto e ao mesmo tempo me sinto livre

Pois já não sei se é uma coisa em que aqui me limite

"A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar-condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá."


[Outro]

"Nós temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível"

HA-HA-HA

HA-HA-HA-HA-HA

HA-HA-HA-HA

HA-HA

"Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia...

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão."