Efeito Borboleta

By Secta (PRT)

Released on January 1, 2012

Thumbnail

[Letra de "Efeito Borboleta"]


[Verso]

Ela escreveu uma carta antes de ser esfaqueada

Não encontraram mais nada

Dentro daquela casa

Rigorosamente revistada, revirada

Virada do avesso, analisada duas vezes

Sou metade ou um quarto dos que pensam

Nesta rainha desprotegida

Que trabalha meio despida

Num quarto de pensão

Sustenta pão e cria o puto

Enquanto eu dropo num beat pro tools

Ela dropa dick pra boca, dick pro cu

Ficou a dever favores

Não respeitou o quid pro quo

Sabotou projetos dum kingpin em troca de fama е projeção

Agora não vale a pena alеgar correção

Do erro

É melhor alugar proteção

Ou viajar

Fazer as malas com nova identidade

Pedir refúgio a clientes

Ameaçar com provas de intimidade

Mas já perdeu tanto tempo e tanta integridade

Desde há um tempo atrás quando chegou à cidade

Vinha decidida a tirar um curso no ramo da publicidade

Deixou os cotas na terra em dificuldade

Mas começou a comprar coca com o dinheiro da faculdade

Típica curiosidade que mata o gato

Agora muita coisa passa ao lado

E muita coisa se tenta

Para conseguir duas gramas a setenta

Recuar dois ou três anos, década 90

Geração na época confusa e barulhenta

No secundário toda a gente reparava no swag da Catarina

Quando passava

Quase paralisava os rapazes

Quase consegue ser ketamina

Mas ela não quer parecer

Daquelas que são p'a ser usadas

Por isso escolhe quem lhe faça promessas daquelas que são p'a sempre

Mulher independente não aspira ser dona de casa

Paciente que só cozinha e aspira

Obstinada e decidida não há nada que a possa travar

Quer seguir os estudos e a mãe junta dinheiro p'a que possa trajar

Enquanto recorda

Os tempos de garota, saltar à corda

Toca e foge, faltar à escola tipo quando toca, foge

Primeira bicicleta

A boneca de trapos

Primeiros lápis

Primeiros traços

Papá, mamã e os primeiros passos

Numa vila onde só há novidades quando turista na zona vem ver a paisagem que a zona tem

Mas agora vou recuar mais atrás ainda

De volta p'ra cona da mãe

(Nascer de novo, ela vai nascer de novo)

O que vou contar agora não é nada tipo Luís De Matos

Ela nasceu de novo mas desta vez com pila e tomates

Filho primogénito numa família classe médica

Com estilo ou género de classe média

Aos cinco anos de idade sobre-dotado e vilão

Infância de castigo é a sina de um puto reguila e refilão

Regulo a cronologia até aos 14 anos

Casa de correção, tráfico de drogas e contrafação

Aos 15 anos quase um homicídio cometido por um menor

Caso arquivado sem provas

Ele estudou possibilidades ao pormenor

Ambicioso, não aceita ficar em terceiro ou segundo

E à medida que vai crescendo fica mais interesseiro

Tem planos p'ro futuro e não 'tá disposto a falhar

Nem que a vida traga desgosto

Ganância de ganhar euros sem descontos

Aceita trabalho sujo, mata por 200

Raiva controlada porque se ela se apodera

Faz matar por menos

Ouve bater à porta do apartamento

Abre a porta do armário

Tira a arma de um pequeno compartimento

Atende um criminoso diplomata

Pois afinal de contas é só mais uma missão

E no final fazem contas

Prepara o kit de assassino

Convicto e confirmado

E passado uma semana ele é o tipo educado que vai armado

Bater à porta da vitima com um sorriso e

"Bom dia" dum técnico TV Cabo

Passa a porta de entrada com estatuto de convidado

Não custa muito, aproxima-se

Do telefone supostamente avariado

Mantém o disfarce durante meia-hora

Mantém o disfarce, mas é agora

É agora

Pega na faca

Silencioso vai na direção dela

Paralisa por instantes atrás dela

Ela escreve uma carta que provavelmente exprime o olhar dela

Completamente focado nela

Completamente focado nela

Executa a missão ali mesmo a sangue frio

Nem sequer pensou pôr-se no lugar dela