[Intro: Fernando Pessoa]
Nunca amamos ninguém
Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém
Cães e homens, gatos e heróis, pulgas e génios, brincamos a existir
Onde está Deus? Mesmo que não exista
Quando vejo um morto, a morte parece-me uma partida
Um cadáver dá-me a impressão de um trajo que se deixou
Tudo quanto tenho sido é uma espécie de engano e de loucura
[Verso 1]
Quero vida nova, visão ampla sem subir pó terraço
Até deixava a branca ficava á еspera que essе pó torrasse
Vejo cenas do passado que era bom que enterrasse
Puder apagar e só deixar o que era bom
Quem me dera
Se beber para esquecer, não há quem modera
Cansado, irritado a contar mais uma primavera
Com pássaros a cantar
Tento dormir, domar
O espirito afogado resgatá-lo do mar
Silencio também fala, 'tou a receber mensagens
Dropar a batida relaxante
Chapadas sem mão até receber massagens
Eu sei que a paz interior é uma estrela que cintila
Nem sempre sou capaz de senti-la
Nem sempre ’tou na paz então descarrego a raiva
Em vez de segui-la
Depois repito o processo até vira à tona paz
Peço à atenção do publico
E tenho a sensação de ir assustá-lo
Vejo o dia de ontem no retrovisor
E tenho a reação de ir ajustá-lo
Encher o saco até explodir
Há sapos que fumam, outros temos de engolir
E apesar de tudo tento rir, mas chega de tanto rir
Idade e consciência 'tá-me a pesar de tudo
[Verso 2]
Talvez haja saída e eu possa ter a chave
Perdido em pensamentos agradeço ter me achado
Encontro portas mas qual será a certa
Agora preferia ter machado
Sonhador já por predefinição
Nem que fica a pé na estrada a passo de procissão
Impasse, não ter profissão
Mas a escola que segui só deu para que varresse ou limpasse
Vai passar a ser tudo ou nada assim 'tá se bem
Pra mim o karma e o destino são frases sem a sintaxe, vem
Abordo e depois aborto os medos
Farto das feridas onde coloco os dedos
E sinto que é perigoso aproximar do gatilho, duma glock os nervos
Os rappers querem vir e bater de frente
Sem receio do choque
Eu quero o mesmo...