O dia sangra lá fora
Vejo o vermelho do céu
Perfurar a minha janela
E repousar na minha pele
Que se alaranja na luz
E enquanto destrincho
Um disco inteiro
Nos meus ouvidos
Eu encaro papéis
Que recusam os meus
Mais sinceros poemas
Não mais escrevo
E quanta impaciência
Em escrever
Ainda que eu trague
Todos os cigarros
Ainda que eu te traga
Juntando os cacos
Eu cansei da poesia
E ela se cansou
De mim
Acho que é ela
Sangrando
E se despedindo
Na lua que me deixou à espera
E não saiu