Released on May 2, 2017

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[Refrão: Rodriguez 03]

Ela é passageira

Eu sou passageiro dela


[Verso 1: Rodriguez 03]

Ela é muda, ela é fera

Ela é curta, ela é bela

Ela é fuga pra longe

E se esconde de quem foge dela

Ela um código ou dois

Ela é um monte de coisa e

Cê mal viu e ela foi

Te conduz e te faz

Ela é puta, né, Nas?

Ou a culpa é do filho da puta

Que fode ela por trás?

Delirais e viveis, trabalhais e morreis de tédio

Fornicais e gozeis, sente o cais, se desfez

Se jogai do primeiro andar de um prédio

Rei ou plebe. Pothos, Éris

Não importa, ela não mede

Diferença de vivência e verão

Ela é ciência, não tem crença

Nenhum salmo vai te salvar

De acabar à 7 palmos do chão

Viva em vão, mas morra são

Faz mais de milhão que tamo nessa

E ainda não somos capaz

De entender nem a ponta da ponta

Da ponta de todo dilema, então pena

Deixa que ela te leva, me leva

E se fecha na névoa enquanto a ponta queima

Problema? Vários

E vários não sabem se amam e odeiam também

E eu também tô no trem que...


[Refrão: Rodriguez 03]

Ela é passageira

Eu sou passageiro dela


[Verso 2: Rodriguez 03]

E não me importa mais o que vão me dizer

Se o que me importa faz sentido pra você

Tentei dizer. Eu tentei entender seu coração

Mas meus pontos fracos são nossos fracassos sem razão

Se em vão vou ter, sim, vão me dizer que ela é boa

Se vou me perder e se ela me perder, vão dizer que ela é louca

E eu sou miragem, eu sou lagoa

Sou saudade, vintage e a mensagem destoa

Por falta de lógica, prática, métrica, a lírica é mímica e eu minto

Mas eu não devo nada se a própria cobrança da vida não faz mais sentido

E eu tomei meu partido, partido no meio

Eu parti do meu meio e me vi mais inteiro

Me traga outra dose, chefe

Pra que eu possa me ver nesse espelho inteiro

Brinquedo do acaso excêntrico e raso mundo de Sofia

E eu sou vagabundo irmão

Não tem nada como um dia após o outro dia


[Refrão: Rodriguez 03]

Ela é passageira

Eu sou passageiro dela


[Verso 3: Rodriguez 03]

E eu nem preciso falar nada, mas eu vou falar

Eu nem preciso cantar nada, mas quero cantar

Ela é uma busca, uma emboscada por quem não tá lá

Ela é uma dúzia de charadas sem senso e sem nada

Fadiga eterna procurar lógica pro seu fato e te dar sentido

E lá terminar, ver passar, te ganhar, te soltar

No final, tá igual no início

Vício lícito, tá implícito

Eu to lúcido no princípio, sem princípios

Em limbos, se me finco onde não tem mais luz

São príncipes, são filhos vis, são Gênesis, são links e milênios

E ainda temos os mesmos erros do tempo da Cruz

Não é justo, eu não te culpo de nada

Mas não culpe, me desculpe, ela também não é obrigada, chapa

Ela não é sua, não é minha, nem de ninguém

Ela é uma obra, bem. Ela é mentira

Tem quem acredita, quem critica e quem prefere sem

Se teu desdém de fato vem, independente de quem

Se bem que nem tem como explicar

Palavras fúteis são inúteis pra te relatar

De fato lute, faça, estude, tente decifrar

Se mate, fuja, porque a dúvida não vai passar