Released on September 27, 2023

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Mó tempão esperando

Vejo meu busão chegando, Ufa!

A fila na esquina faz curva

Chuva começa a cair feito ducha

Molhou a roupa, boot lavou

Na overdose de neurose vou

Só de imaginar o meu chefe

Testando a febre

Meu sangue ferve, djow

Estou acumulando tudo

As minhas dores do mundo

Um dia a conta vem

E já vem pronta

Sem pensar em final feliz

Doente igual meu país

O ódio invade a raiz

E no busão alguém pisa

No meu pé tão forte que o dedo agoniza

Sobe o estalo na cara quе mata o carisma

Prestes a causar cataclisma

É a pequеna dor do picar da pequena formiga

Que vira bicada de galo de briga

Sobe a ira no meu contagiro

Conto até 100 e respiro

Mantém a calma, chapa

Que essa criaca chakra massacra

Não dê mais um murro em ponta de faca

Encolhe as garras, leão de chácara

Nesse momento a ira não cala

Então logo eu tive que dopá-la

Pois ela quando nasce esparrama pelo chão

Mas também quando ela dorme

Alivia o coração

E ao pensar no que eu escrevo

No jeito que eu rimo

Me sinto muito são

Mas a minha mina disse que minha arte não é arte

Pois não é meu ganha pão

Hoje tô num food truck

Fritando seu hambúrguer

Mas já fui uber

Crise econômica titânica, raiva astronômica

Contaminando a carne toda com peste bubônica

E esse rango que te sirvo é a pura cólera

Veneno no sangue logo correrá

Ao mastigar, dilacerar

Sinta o sabor do ódio lhe tomar

O espaço minúsculo

E tão gorduroso

Fede a bucho, chão sujo

Mais de 50 graus nessa grelha

E eu suando feito um urso robusto

Tão frito quanto a carne na chapa

A vida não dá colher de chá

E vai fritando em série

Meu cerne

Meu cérebro