É Doce mas num é mole

By RAPadura

On Fita Embolada do Engenho

Released on 2010

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[Verso 1]

Diretamente do engenho aqui venho

Mantenho esse forte empenho

O que tenho não mas contenho

E me embrenho nesse desenho

Retenho esse caldo bom, extrato puro do dom

Moendo a cana, a garapa faz rapadura no som

Resulto num fruto duro futuro dança na palma

Palma na qual eu me aprumo esse é o sumo da minha alma

Sentindo essa vibração alumiando o sertão

No fogo do lampião no balão subindo clarão

Vejo a estrada se abrir, vejo mainha a sorrir

Vejo esse sonho emergir, explodir e o mundo aplaudir

Eita cearense invocado virado num mói do diacho

No braço rasgo o riacho retado sou cabra macho

Minha raiz é cantada, é dançada, é prosa falada

Arada e cultivada, amada e eternizada

Faço como antigamente, alegro o carnaubal

Se for pela minha gente arrasto a pexeira o punhal

O menino arrebenta, agora agüenta essa raça brava

Pros froxo que nada dava, toma é pra morrer de raiva

Sou Nordeste até a tampa e boto pra voar as banda

Rapadura aqui canta e encanta e as telha levanta


[Refrão]

Chico segure fole é doce mas num é mole

Zabumba não escapole é doce mas num é mole

Rapadura de engenho é doce mas num é mole

É doce mais num é mole é doce mas num é mole

Chico segure fole é doce mas num é mole

Zabumba não escapole é doce mas num é mole

Rapadura de engenho é doce mas num é mole

É doce mais num é mole é doce mas num é mole

Sou nordestino, sou menino cantador

Sou cordelista, repentista embolador

Sou cangaceiro, sou vaqueiro aboiador

Eu sou da palhoça, sou da roça com muito amor

Eu vim lá de lagoa seca pra cantar

O que eu tenho é o doce de engenho pra encantar

Se sou matuto e diferente aprenda a respeitar

Oxe, oxente, arriégua inté morrer vou de falar


[Verso 2]

A cultura sou entregue esse nó não se afrouxa

Sou carne dura de jegue não negue que o cabra arrocha

Bole a criança, bole a menina, bole a senhora

Desde o começo da andança inté minha hora de ir embora

Cabeça de calango treme no meio ensaio

Tipo feira de mangaio estremecendo o balaio

Na crença é meu padim, na foice é Zé mucuim

Nascença aqui é chiquim mais doce que alfenim

A bença mundica e eu vou lá pros pé de siriguela

Ela sabe eu sou sabiá assobio inté secar a guela

Prá afinar as canela me jogo no arrasta pé

Tem abestado num é que tem vergonha do que é

Eu sou o que sou e onde for minha cultura vai estar

Chapéu de palha e precata pro ceará festejar

O sotaque vem do sertão minha armadura é meu jibão

Com suor lavro esse chão É doce mais num é mole não

Rap, xaxado e baião, emoção na qual eu componho

Com muito trabalho e esforço realizei este sonho

Norte, nordeste me veste, o povo ta dentro de mim

Enquanto num for mim embora eu canto a meu amor sem fim


[Refrão x2]

Chico segure fole é doce mas num é mole

Zabumba não escapole é doce mas num é mole

Rapadura de engenho é doce mas num é mole

É doce mais num é mole é doce mas num é mole

Chico segure fole é doce mas num é mole

Zabumba não escapole é doce mas num é mole

Rapadura de engenho é doce mas num é mole

É doce mais num é mole é doce mas num é mole

Sou nordestino, sou menino cantador

Sou cordelista, repentista embolador

Sou cangaceiro, sou vaqueiro aboiador

Eu sou da palhoça, sou da roça com muito amor

Eu vim lá de lagoa seca pra cantar

O que eu tenho é o doce de engenho pra encantar

Se sou matuto e diferente aprenda a respeitar

Oxe, oxente, arriégua inté morrer vou de falar