Released on November 7, 2016

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[Verso 1: Diomedes Chinaski]

De um lado um público jovem, maldita massa despolitizada

Às vezes uns tão radicais, mas base teórica nada

Nunca invejei ninguém, na verdade ataquei a estrutura

Uma grande manobra arriscada como Bukowski em literatura

Chinaski, o aprendiz, filho de Lula, não de Ustra

Fui infeliz atacando MC's? não, questionei a indústria

Direto do gueto, do gueto, do gueto, do gueto, do gueto, do gueto

Riqueza pro gueto, riqueza pros pretos, uma vida melhor e mais justa

Os irmãos tão morrendo por uma bermuda, boné, um par de tênis

Triste, né? Querem se matar, então que matem Michel Temer

Em 2009 eu fazendo isso, ainda tenho pela frente uma carreira imensa

Se tu acha que eu não acho que isso é compromisso, vou provar que sou maior do que vocês pensam

Sou maior que Facebook, Instagram e Tumblr

As tretas de internet tá gerando hype

Nessas ruas meus amigos morrem de verdade

O poeta cantador é a válvula de escape

Sem tempo pra conversar água, trajetória amarga

Finalmente pra agonia estou vendo saída

Só sei que daqui pra frente aguento a carga

Mais que música, essa porra é história de vida


[Verso 2: Nissin Oriente]

Medo, clareza e poder

Medo é o primeiro passo que ocupa espaço, reluzente na sua frente que não te deixa ver

A falta do medo também é perigosa, esquece do espinho quando segura a rosa

Segura acelerado na curva sinuosa, vida loka, vida dura, vida cabulosa

A clareza ilumina, te traz confiança nas rimas

Mas clareza em excesso também cega e normalmente é isso que te determina

A clareza vem quando passa o medo, por isso os gênios enlouquecem muito cedo

A clareza vem trazendo o poder de ver tudo através do seu espelho

Tudo muda com o poder, você poder ir, você pode ter, todos vão te ouvir e também te querer

E outros vão tramar pra poder te fuder, mas querer não é poder só se for com o amor

Por isso o poder é transformador, trazendo a água que rega a flor

Não vem jogar sua merda no meu ventilador

Propósito inflexível, espírito inabalável, instinto incompreensivo, caráter inquestionável

Os milagres acontecem a margem do impossível, como a água fura pedra, mas também é maleável

Como vento invisível, com força incomparável

Como fogo inflamável em volta do combustível

É fácil ser temível, difícil é ser amável

Eu vi o esforço dos mano, pra fazer o sonho possível

Não cuspam no prato dos outros, crescer assim é bem mais difícil

Como Beethoven era surdo e fazia grandes sinfonias

Como Dalí era louco e pintava grandes obras primas

Se eu for falar mal de alguém, eu falo mal dos políticos

Do sistema escolar, hospitalar que continua em estado crítico

Cê não viu como acabou Tupac? Cês tão querendo ser Notorious

Os gangster de internet viram rato de laboratório


[Ponte: Rapadura]

Piedade meu senhor, eles não sabem o que fazem

Piedade meu senhor, eles não sabem o que fazem

Piedade meu senhor, eles não sabem o que fazem

Piedade meu senhor, eles não sabem o que fazem

Piedade meu senhor, eles não sabem o que fazem


[Verso 3: Exu do Blues]

Exu abre caminho, cê fala que ele é vilão

Heróis morrem de overdose enquanto eu respirar, fila da puta, vou ser vilão

Faz de MCs divindades, tenho dívidas pra pagar, foda-se sua vaidade

Foda-se seu backstage, foda-se sua vaidade

Riram do meu sotaque, Sulicídio não foi um ataque

Foi um foda-se ao público, esses moleques não são de verdade

Porra, não são de verdade

Amam MC's e não o hip hop

Você ama o rap? Prove!

Em 1999 a Lauryn Hill já pensava em mim cantando 99999

Que meu verso te toque de alguma maneira

Mas filha da puta, você jamais me toque

Foque antes que isso te sufoque, dê a Cesar ao que é de Cesar

Seja o dano, mate Cesar, comemore no passo romano

Meus irmãos transam com a guerra, e ela tá enjoando, favela tá menstruando

E eu cansando, enjoado de dar gole ao santo

Eu sou o meu próprio santo, então esse é o meu gole

Engulo o álcool e o álcool me engole

Me dê ouvido ou me dê outro gole

O rap me faz e faço rap até que ele me degole, ou me dê outro gole

Rap, eu não sou seu inimigo

Hoje em dia fã boys se masturbariam no XVideos assistindo o crucificar de um Cristo

Eu sou Bahia, preto, sou Salvador, mas não sou o seu cristo

O rap eu sou preto, sou Salvador, HA! Mas não sou seu cristo


[Verso 4: RAPadura]

Antes de vomitar sobre a voz, enguia menino

Peça bênção aos nordestinos que são seus pais e avós

Antes de arrotar sobre algoz, engula esse hino

A regência dos clandestinos nas capitais em arrebóis

Pontos vitais do cafundós dos Capibaribe

Os meus cristais vem dos lençóis lá de Beberibe

Quem garante que o rap e sua foz veio de seus canais

Se nos sertões lá atrás desaguavam Jamaica e Caribe

Contesto o contexto de outrora, arre égua

Remexo o eixo, o desfecho, o texto devoro, se trégua

Põe a vida em linhas? Minha oratória aqui quebra a regra

Submeto tua glória e ponho toda tua historia em uma légua Como uma esfera do ventre da velha escola

Tou entre o agora e a artéria do sempre que ela incorpora

O que vem de fora é foda pra gente, é moda presente

Mas antes já existia o repente, a prosa e a viola

Agora aqui promovem a ignorância dos nossos

Dizendo que a seca, a miséria são apenas mazelas, fatores históricos

Envolvem intolerância e destroços, descaso incita a quimera, incinera a matéria e os rumores folclóricos

Ergui teu concreto e vivi no abstrato

Ergui o teu teto e o teu ar de distrato que em mim desconta

Perdi filho e neto no meu chão de mato, perdi todo afeto vivendo o mal trato, não há nada que pague sua conta

Sou pássaro, entre semáforos, mais rápido que ascensão dos Bárbaros e os declives de Cunha

Rasgando a diáspora, conteúdo mais áspero que os sertões e os áridos de Euclides da Cunha

Se lembra daquela conversas, te disse que a inércia só pegaria peças inversas para os bons desempenhos

Atravesso travessas, sou o pagador de promessa, já paguei todas elas e até hoje ainda pago pelos dons que eu tenho

Por vim de onde venho e ter a cabeça chata, é muita inteligência, a mente pequena parte e se achata

Me deixam de bucho vazio, venço o desafio, minha escrita é farta, alimento a alma e nada me falta

Nada me empata, sou fera nativa no vão da maré

E tenho a pata ativa no chão da Assaré

Tua rima vem da cidade em construção, não tenho estudo, nem arte, minha rima faz parte das obras da criação

Seria muita prepotência dizer que eu represento o Nordeste

A causa é bem maior, que o CEP que o RAP

Sou apenas adubo dos corpos celestes que a terra aqui veste

O calor me fizeste como agreste dos mestres

Se o Brasil é arvore que exponha sua matriz

Nordeste quebra o mármore pois sempre foi sua raiz

Negar isso é burrice, tolice de todo um país

Sem "disse me disse" pois depois disso não tem mais diss