Released on November 30, 2018

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[Verso 1: Harlley]

Eu me perdi

O rumo que eu escolhi saiu do foco e eu me desmontei

Diga que não vai sair

Já sou sozinho demais pra imaginar-me sem você aqui

E isso ninguém vai ver

Estou sentindo aqui, meu universo cair

Isso ninguém vê

O peito fechando o ar e eu gritando pra ninguém ouvir


[Verso 2: Guigo]

Quem dorme bem

Sentindo a sensação?

Quem ama quando o berço do problema é falta de atenção?

Quando não se encontra

Em meio à discussão

Quando as paredes caem

E te levam pro chão

Levei nocaute e eu vou de novo em direção

Só mais um soco ou mais uma condenação

Seguindo o sol, sentindo a solidão

Quando se tem a casa cheia e o vazio pesa o coração


[Refrão]

Quem

Vai dizer, vai entender

Que o que tem não importa?

Quem

Quer saber que isso é dor

Que ficou da memória?


[Verso 3: Tchelo Gomez]

Me escolheu, nagô

Mais que aparência, existência!

Que enfim me despertou

A vontade de cantar e de gritar

Pra todo mundo ouvir

O que tava entalado

Que passaram meus antepassados

Por conta da sua crença ou cor

Realidade ou filme de terror?

Me deixa viver! Deixa eu viver! Me deixa viver! Deixa eu viver!

Nossa existência incomoda seu ser?

O que tem em mim que afeta em você?

Por qual motivo quer me ver sofrer?

Mais que resistir! Eu vou existir! Mais que resistir! Eu vou existir!


[Verso 4: Lucas Boombeat]

Por cada corpo esparramado

Quantas notas são?

Por cada choro derramado

Quantas notas são?

Por cada vez que me usam

Me lambem, me sugam, me levam a solidão

E eu sei que quanto mais dói, corrói

Na missão de transcender, eu sinto sem pudor

Eu me perco no abismo pra me encontrar

Assim como minha canção se elevou da dor

Sigo de cabeça erguida

Calejado de feridas

Entre becos e avenidas

Nosso canto pede vida

Não me vejo sem saída

Não me entrego na partida

Não me entrego, não me entrego

Eu me nego

Enquanto eu respirar, lutar eu vou


[Refrão]

Quem

Vai dizer, vai entender

Que o que tem não importa?

Quem

Quer saber que isso é dor

Que ficou da memória?


[Verso 5: Murillo Zyess]

Não dá pra ser forte o tempo todo

Eu me pergunto quanta dor pode aguentar um corpo

Quando se é pobre, negro e gay, você já tá no lodo

Sonhar é pra quem tem audácia de encarar o jogo

Foi tantas noites sem dormir

Achando que o erro era eu existir

Tanto perrengue, prestação, aperto, não de mão, no peito mesmo, solidão

Tantas caronas nos busão

Foi tanto "não" que eu nem me lembro mais

Por tantas vezes vi minha mãe nos corre batalhando pra ser mãe e pai

E eles disseram "seja alguém na vida" e eu vou ser

Não pra provar que posso

Eu vou ser por merecer

Se eu já tô nos destroços, não tem porque temer

Sistema quer meu fóssil, mas vão penar pra ter

O que almejo já nem sei se dá pra descrever

O que prevejo, fortalece, me livra dos males

Mas vou vivendo cada dia, pois pude entender

Quando ouvi alguém dizer que a vida é só um detalhe