Released on April 4, 2016

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[Verso 1]

Ele nasceu no Porto no Hospital São João

Antes de ser baptizado já era sócio do Dragão

O Pai dele era o Nando mas ele ficou-se por Quim

A Mãe bulia por turnos da Rua do Bonjardim

Com poucos meses falou e soletrou P.U.T.A

Até a Avó lhe roubava as papas de Cerelac

Que a cota comia a ouvir a rádio romântica

Baladas do Toni de Matos são partes da sua infância

Tinha um brinco de ouro que o irmão o roubou

Faz sentido foi o próprio que a orelha o furou

Em frente ao retrovisor dum Citroen AX

Era o que tinha desmarcado por dentro do beliche

A kitchenette era um antro de grunhos a partir telas

O seu bairro era isolado como ilhas dos arquipélagos

Sair de lá era mentira tinha que se ir a butes

Passar por prédios uma bouça e duas escalas no bus


[Refrão x2]

Era uma vez um sócio que eu conheci

Tinha outro andamento o seu lugar não era aqui

O nome dele era Quim e não mandava recados

Fazia a festa com pouco o que o tornava engraçado


[Verso 2]

Ele parava no Rocks e com as betas da Foz

À tarde treinava boxe à noite comprava pó

Infiltrava-se em qualquer meio já tava a ficar patrão

Cantava sempre de galo pois tinha mais protecção

Contactos até da moda vendia coca ao Serrão

Ligavam-lhe a pedir sheilas para estágios da selecção

Tava com outra pausa deixou o papel de peixinho

Tinha um iate no Algarve e um terreno no Minho

Feiras de vinho roupas de linho e Domingos de hipismo

De Verão surfava à noite praticava alpinismo

Tava na casa dos 30 andava de roda no ar

Até conhecer a Cátia e decidir assentar...


[Outro]

"Oh mor... gostastes? .... Gostei..."


[Verso 3]

Casou teve 3 filhos acabou-se o glamour

Tava efectivo e farto de montar placas pladour

Em vez dum maço numa noite só parou no Sá Carneiro

Tinha um controle na Holanda dum mano do Lagarteiro

E foi para lá em low-cost para trabalhar numa estufa

Curtiu comeu de tudo desde rolhas a fufas

Instalou-se num bungalow até apranchar-se a uma loira

Meio metro mais alta do que ele feia mas grande toura

No emprego chamavam-lhe o "portuguese"

No dia do pagamento faltava para dar uns sniffs

Na coffee queria dar micos aos filtros que eram de graça

Mas nunca se embaraçava mandava-se sempre para a praça

O fim é assim nunca mais vi o Quim

Provavelmente ele nem se lembra de mim

Tornou-se um cidadão do Mundo no fundo nunca mudou

Tentou esquecer quem era mas o bairro não o deixou


[Refrão x2]

Era uma vez um sócio que eu conheci

Tinha outro andamento o seu lugar não era aqui

O nome dele era Quim e não mandava recados

Fazia a festa com pouco o que o tornava engraçado