Cypher Black Total 2018

By Procd Brasil

Released on October 17, 2017

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[Intro: DJ Guiga]

(Ser um preto tipo A custa caro)

(Preto função, sou sim, sou feliz)

('Cês dão taça de veneno e quer suflair?)

(A gente sonha a vida inteira e só acorda no fim)


[Verso 1: niLL]

Minha cor desperta sensação de ameaça

Por isso o segurança vem seguindo no corredor da bolacha

E nunca mudou, nem nunca mudará

Dois preto de terno até na igreja seria mó guela

Chave de enquadro, breque naquela

Malditos pregaram isso igual a febre amarela

Só perréco nas mazelas, mas agora não pode

Falar que preto vai dominar é supremacia? Não fode

'Cês achavam muita graça quando estralava o chicote

Aí nasce um neguinho tipo eu pra vim jogar no bigode

Claro como a noite, a sociedade tem sorte

Eu vi o gatilho do Sabota e não o gatilho do revólver

Merenda meio dia pra nóis não resolve picuinha

Por que pessoas com a mesma cor que eu estão na cozinha?

Ou na portaria?

E não na fila pra entrar, coincidência e acham que não deram seta

E se calar a boca de racista com cédulas for a única opção que resta?

(Poder para o povo preto)

Que resta?


[Verso 2: Jamés Ventura]

E as correntes que prendiam, hoje brilham no pescoço

Mas ainda é osso, a cidade é um calabouço

Na Globo o preto sofre, na Record o Egito é loiro

Falsa história pro meu povo, matam a história do meu povo

Preto, como o rap nasceu e ele é

Preto, se você não é não sabe qual é

E os preto que nem sabe que é fortalece o que quer

De um jeito qualquer jow é, os preto na merda

Não vejo comoção quando é preta a perda

Mas os pretos pensadores que lutaram criminalizaram

Criaram a AIDS e o crack e não nos mataram

Tentaram, mas não nos mataram, todos não mataram

A África é o início, pro racismo o fim

Eu passo pra minha filha o que Malcolm deixou pra mim

(Preto função, sou sim, sou feliz)


[Verso 3: Bitrinho]

Yaw! Yo!

Sem snap ou trampolim eu vim fazer um trampo lindo

Alguns lugares onde eu trabalhei, não era bem vindo

Nem de social, nem no elevador, o que eleva a dor

Perdi a conta, acusado por conta da cor

Não estudam, falam, julgam sem saber porra nenhuma

Não sabem a procedência nem do prensadão que fuma

Tudo isso foi um golpe pop, deixou tudo claro

Eu vi um preto favelado aplaudindo o Bolsonaro

É lamentável tru', alguns são trem, outros são trilho

Elegendo assassino de nossos futuros filhos

Foda-se o mundo! Brasil, um país racista

Se nega que é preto, filho de diarista

Não temos dinastia, história foi apagada

E na escola é o "descobrimento", é a sempre contada

Isso não é "mimimi" nem história pra boy dormir

Eu não vou me redimir, minha vitória é por aqui


[Verso 4: Nabil]

Meu sangue ouro de fritar é o que norteia

Não sinta-se no Amistad, conjuntura pra "mate um negro"

Sou parte de uma estrutura que usa meus pseudônimos

Cada vez que uma premissa é posta, refutam meus homônimos

Crente prediz o que pressagia o meu pensamento

É uma teia débil na putrefação, despia o seu pensamento na mira

Solenemente o preâmbulo, ó como que ele ficou doente

Preso na esquizofrenia, eu chamo de arte cênica

Pressão [?], pressão filho da cisão

Tensão, manda vir a prisão

Russo nos chamam eugenia, pura abdução, vamo lá flexão

Pueril coração, poluído, sucumbido caindo na Nova Jerusalém

Quererá prever tudo aquilo que nóis tem

Nêgo sem blusa numa terra sem lei

Como turcos otomanos, mano, põe nas efemérides

E é só porque somos nômades nos olhar [?]

[?] químico, cocaína nos faz César

Eu sou uma [?] marcial, [?] africanizar hermético

Como se o problema é o rap no magma da Terra

Se morremos como Pac e Biggie, antes de matar sua cria


[Verso 5: Blackout]

Skrt, skrt, skrt, skrt

Mas quem diria, são dez niggas em um cypher

No muro da berlinda, só que todos de sniper

Então defende a custa do que queima no seu pipe

'Cê sofre preconceito por causa da tatuagem

Mundo branco, aonde não tem opção

Que eles param um preto atrás do ladrão

Quero pretos no topo e não no caixão

Atrás do banco do Volvo e não do camburão

Homens branco vão dizer que é discurso apelativo

Homens branco, não é branquice que bota fogo no índio

Dá dinheiro pra estádio, e as costa pro genocídio

Rouba tendo um bom salário, irmão, e o povo que paga isso

Se todo preto é bandido, hoje o Black rouba a cena

Anos sendo banido, no posto só tinha algema

Dando mais prejuízo do que ponte de safena

Pretos tão progredindo entre o racismo que impera


[Verso 6: $au]

Os preto no topo, contando o gold

Todos portando cordão de ouro

De uma vez por todas entenda

Cansamos de migalhas da sua merenda

Viemos saquear as contas

Depois dividir a renda

Pintaram Jesus de branco

Na intenção de mudar a história

Descriminaram o povo preto

Ocultando a sua glória

Guapo

Preto cor de preto é fato

Mas se preciso decapto capitão do mato

Pow! Pow! Pow!

Matei o meu senhor cômodo, esgana

Libertei, resgatei o que estavam na lama

Na gana de contar a grana

Então não me chame de "negro"

Eu vivo e sou um homem

Mesmo porque no registro

Antes da cor vem meu nome


[Verso 7: Max B.O.]

Quem diria são dez, tô de capa preta

Mais um preto no jogo, fogo na caneta

Digo antes das tretas, domina muletas

Queimando correntes, reinando planetas

Tão baleado e eu tô baleando

Sempre preparado, até cambaleando

Sou procurado e tava procurando

Senhor Procurador, eu tava só olhando

Não procuro dor, vem comigo

Sei meu valor e os meus amigos

Tão aqui, entende o que eu digo

Que todo dia é um novo perigo

Preto é amor, preto é saudade

Preto é raiz da liberdade

Abrindo as algemas, derrubando as grades

Antes dessa história éramos majestades

Plow


[Verso 8: Mano Will]

Preto que não foi só escravo

Preto é voz da verdade, quebra quem menospreza

E sua maldade cê engole

Preto bom não se envolve

Onde não convém pros nossos

Ódio acumulado tem de sobra

Só que a minha terra natal é o Picanço

Olha bem as palavras, que gorila não é manso

Avanço é ver toda a minha vila brilhando, também de ouro

Mas dente branco no rosto preto é um destaque e tanto

Enquanto a diferença for gritante

E a camuflagem for interessante

Pra quem menospreza gente da gente

No pente das ideias quem já cansou de se humilhar


[Verso 9: Flip]

Brancos, se vocês soubesse o valor que o preto tem

'Cês viravam múmia de fita isolante, ficava preto também

Ei, eu tô brincando, mas eu falo sério

Se mexer com a minha raça vai parar no cemitério

Independente de sua raça ou de seu credo

Independente de ser preto, branco ou amarelo

Não é questão de ser rico ou de ser pobre

Não ser mais um cuzão é atitude nobre

Não seja um daqueles boy cu

Desculpa pelo termo, eu não tinha outro melhor, tru'

Doença de gente rica

Quanto mais dinheiro mais maluco o cara fica

Branco boy, preto boy, rico pobre boy

Ser boy não é problema, o problema aqui é nóis