Aviões de Papel

By PlayerDaKing

Released on March 11, 2019

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[Refrão 1: Alana & Player daKing]

Eu sei que sofres em silencio e que cobras a ti mesmo

Esse sigilo cinzento que cresce em ti

Sentes que morres por dentro e esqueces cada momento

Nesse sigilo cinzento que cresce em ti

Infância vai embora memoria vã e inglória

Criança adulta que hoje em dia ainda tem memorias

Isto não é um som de amor mas isto tem historia

Eu 'tou a tentar perceber por que é que a minha mãe chora

Infância vai embora memoria vã

Criança que ainda chora pela mamã


[Verso 1: PlayerDaking]

Quatro crianças numa casa sem posses

Vêem a mae ser violentada sem hipoteses

E ela não tem mais forças cada vez faz mais esforços

O pai traz terror a casa e nem tem remorsos

Ele foi nascido e criado no porto

Minha avó dizia que desde miúdo ele tinha o diabo no corpo

Um dia ainda aparecia morto esfaqueado ou afogado num poço

Que trazia maldade no rosto e com a idade revelou-se

Porque nos odeias tanto, não temos culpa de ter nascido

Sóbrio das uma de santo com a desculpa de teres bebido

Porque descarregas em nós os erros por ti cometidos

Porque renegas a familia que devias ter protegido?

Era suposto passarmos fome e tu vires com casacos novos

E essa puta que nem tem nome, tu da-lhes uns sapatos novos

Nos sermos pobres p'ra ti é uma brincadeira

Não vês que ela só ama a tua carteira

Mas é com ela que gastas, é ela que tanto adoras

O sexo dela vicia e merece ir jantar fora

Só te explora não vivem amor nem historias

Só tem o corpo p'ra te dar e em troca dás-lhe ouro e joias

A nós mandas a cara que mais valia ir pedir esmola

Bastava que te importasses perguntasses como vai a escola

Queres jogar a bola? Mas nem vontade mostras

Custava demonstrares que tinhas saudades nossas

Nunca te esforças só queres é noites loucas

Olha para a minha mãe não vês o quanto a magoas

Quando a atraiçoas só nos amaldiçoas

Percebe que somos nós que sofremos com as tuas escolhas

Não respeitas a mulher que depositaste confiança

À que juraste amor eterno quando trocaste alianças

Alimentaste esperanças nessa juventude intensa

Tu prometeste amá-la na saude e na doença

Cada atitude uma sentença, causaste tanto sofrimento

Ela morre por dentro, sentada a um canto inerte

Enquanto berras ameaças e dizes que um dia a matas

A sufocas com o cinto e a deixas no chão de gatas

E ela grita "Não me batas, os miúdos estão a ver"

Mas ele não quer saber, porque ele só quer bater

E se nos portarmos mal, ela encobre e assume a culpa

Para nos livrar da raiva desse pai filha da puta

Ela só dorme, não come está na cama todo o dia

Memórias são tão más que não ha fotografias

Já nem da atençao às filhas não dá colo, não dá mimos

Só chora e afoga a dor em alcool e comprimidos

Sai à rua com vergonha a enxaguar as lágrimas

Óculos de sol e um cachecol para disfarçar as marcas

E está tão farta do martirio a que se expõe

Que só pensa em suicidio cada vez que vê um comboio

Ela sente-se depressiva, e a vizinha que espreita

Diz não te rendas a essa sina, não vês como te desleixaste

Tens que pensar nos teus filhos e em ti, porque nao o deixas?

Mas ela ainda o ama e não quer apresentar queixa

Ainda tem esperança que ele volte para seu lado

Diz que as putas com que ele anda o devem ter embruxado

O amor é cego, o amor é pecado

Enquanto houver amor ele será perdoado

A familia não quer saber nem se chegam à nossa beira

Dizem que não se querem meter mas metem lenha na fogueira

Só desdenham a vida alheia com moral de ser parente

Mas se for p'ra enxer a geleira já ninguem se chega a frente

Nunca ninguem chega a tempo e nós vivemos com medo

Na escola sem amigos, em casa sem brinquedos

O SASE é que paga os livros, a mãe não tem capital

E vivemos nesta casa esquecida pelo pai natal

Mãe, se eu pudesse dava-te milhões em papel

Na janela a brincar com aviões de papel

Um dia eu serei rei num castelo e dou-te um reino

Diz aquele puto gordinho sempre com o mesmo fato de treino

O que relato é um retrato e não um guião estudado

De facto, não há união nesta união de facto

E so queria que hoje em dia não se notassem mazelas

E esquecer o que se vivia nessa casa à luz de velas

Minha mãe está envelhecida guarda o seu trauma p'ra ela

A morte da minha avó levou sua alma com ela

Sempre viveu insegura e nunca teve apoio em nada

Mulher amargurada nunca se sentiu amada

Se eu pudesse, construia a maquina do tempo

P'ra mudar o passado e poder dar-to de presente

O que plantasse no passado daria frutos no presente

E hoje em dia o teu passado teria um futuro diferente

Eu faria com que tu escolhesses o melhor pra ti

Daria mais que o mundo p'ra tu voltares a sorrir

O meu desejo profundo é que nunca tivesses sofrido

Mesmo que eu nunca tivesse nascido

Nos escombros das sombras que assombram em mim

Eles sondam-me, encontram-me e sopram-me ao ouvido

Insistem p'ra eu contar o que sempre escondi

E esta talvez seja a letra mais dificil que eu escrevi

[Refrão 2: Alana & Player daKing]

Eu sei que sofres em silencio e que cobras a ti mesmo

Esse sigilo cinzento que cresce em ti

Sentes que morres por dentro e esqueces cada momento

Nesse sigilo cinzento que cresce em ti

Infância vai embora memoria vã e inglória

Criança adulta que hoje em dia ainda tem memorias

Isto não é um som de amor só porque tem drama

E a minha mae chora porque é humana

Infância vai embora memoria vã

Criança que ainda chora pela mamã