Released on March 22, 1997

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[Letra de "Zerovinteum"]

[Verso 1: Marcelo D2, BNegão]

Rio! Cidade-desespero

A vida é boa, mas só vive bem quem não tem medo

De olho aberto, malandragem não tem dó

Rio de Janeiro, cidade hardcore

E arrastão na praia não tem problema algum

Chacina de menores, aqui, zero-vinte-e-um

Polícia, cocaína, Comando Vermelho

Sarajevo é brincadeira, aqui é o Rio de Janeiro

[Verso 2: BNegão, Marcelo D2]

Rio de Janeiro, demorou, é agora

Pra se virar tem que aprender na rua

O que não se aprende na escola

Segurança é subjetiva

O melhor é ficar com um olho no padre e outro na missa

Chacinas acontecem sob um calor inominável

Beleza convive lado a lado, com um dia a dia miserável

Mesmo assim, a nossa terra não troco por lugar algum

Já disse: este é o meu lar

Aqui, zero-vinte-e-um


[Refrão]

Cuidado pra não se queimar na praia do arrastão

Uh-ha-ha-ha, Rio de Janeiro

A cidade é maravilhosa, mas se liga, meu irmão

Uh-ha-ha-ha, Rio de Janeiro

Aqui, fazem sua segurança assassinando menor

Uh-ha-ha-ha, Rio de Janeiro

Então, fica de olho aberto, malandragem não tem dó

Uh-ha-ha-ha, Rio de Janeiro

[Verso 3: Marcelo D2, BNegão]

É muito fácil falar de coisas tão belas

De frente pro mar, mas de costas pra favela

De lá de cima, o que se vê é um enorme mar de sangue

Chacinas brutais, e uma porrada de gangue

O Pão de Açúcar de lá, o Diabo amassou

Esse é o Rio

E, se você não conhece, bacana (pow, pow, pow!)

Tome cuidado, as aparências enganam

Aqui a lei do silêncio fala mais alto (fala mais alto!)

Te calam por bem ou vai pro mato

Mas, de repente, invadem a minha área, todos fardados

Eu tô ficando louco, ou tem alguma coisa errada?

Brincando com a vida do povo, então, se liga na parada

Porque, hoje, ninguém sabe, ninguém viu

Um dia, alguns se cansam e pow! Guerra civil

Mas como diz o ditado

Quando um não quer, dois não brigam

Mas já que cê tá pedindo, segura a ira

Porque a cabeça é fria, mas o sangue não é de barata

Esse é o Rio, mermão

É, o veneno da lata


[Ponte]

Ve-ve-neno da lata

Da-da

Da lata


[Verso 4: Black Alien]

"How, how, how, how!" Faz o Papai Noel

Pow, pow, pow, pow! E nego não vai pro céu

Vejo V de Vendetta, lírica bereta

Black Alien e família, soem as trombetas

Tomando de assalto a cidade que brilha

Mãos ao alto, vamos dançar a quadrilha

288 é formação de quadrilha

Nome: Gustavo Ribeiro, a descrição do elemento

Primeiro, é o olho vermelho, na mente, no momento

Como diz o Bispo: "Eu sou artista, esse é meu lixo"

Acesso ao som restrito, ao perito

O dialeto, se dito, é um perigo, amigo

Para o consumo da alma sem abrigo

O ritmo e a raiva (a raiva e o ritmo)

E sobre o abismo, sem "ismos", eu cismo

Vou ao silo e toco o sino: "bum, plim, plim!"


[Refrão]

Cuidado pra não se queimar na praia do arrastão

Uh-ha-ha-ha, Rio de Janeiro

A cidade é maravilhosa, mas se liga, meu irmão

Uh-ha-ha-ha, Rio de Janeiro

Aqui, fazem sua segurança assassinando menor

Uh-ha-ha-ha, Rio de Janeiro

Então, fica de olho aberto, malandragem não tem dó

Uh-ha-ha-ha, Rio de Janeiro


[Outro: Marcelo D2]

Seu Gilberto Cardoso dos Santos, Dona Jane

Lucilete Silva Santos, descansem em paz, descansem em paz

Fábio Pinheiro Lau, Joacir Medeiros, Guaracy Rodrigues, hé

Hélio de Souza Santos, Lucineia, Núbia

Paulo Roberto Ferreira, Adalberto de Souza, descansem em paz

Cláudio Feliciano, Lúcio e Paulo Cesar Soares

Cléber Alves, Amarildo Baiense, Edmílson Rocha, José dos Santos

E sobre o abismo, zero-vinte-e-um, Vigário Geral

É, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro!