Época de Épicos

By Parteum

On Raciocínio Quebrado

Released on 2004

Thumbnail

[Intro]

Dominantes

Parteum, Kamau e Rick

Mais uma vez

Mais Paulo Nápoli

Nessa época de épicos


[Verso 1: Parteum]

Da mais singela flor surge a mudança de humor dos deuses do Olimpo

Desde 1-9-7-5

Eu analiso e crio imagens tridimensionais

Viagens fenomenais como contos de Júlio Verne

Eu arrepio a epiderme de quem para pra escutar o que recito sobre violinos sampleados

Versos livres são flagrados com meu nome na testa

Em qualquer festa, qualquer fresta por onde meu som passar


[Verso 2: Kamau]

Passo a passo se constrói a caminhada, do nada, algum lugar comum

E você vê que não é só mais um

Por mais que a gente pense diferente

A gente sente que em algum lugar do mundo tem alguém que pense igual a gente

Que olha em volta antes de andar pra frente, mesmo que lentamente

E é assim que o mundo muda

Sua ajuda é importante, a minha parte eu faço

Marcando época no meu lote de tempo-espaço


[Verso 3: Paulo Nápoli]

Época de épicos, inéditos no mundo

Mudanças em grande escala rolando a cada segundo

Padrões mudando, patrões mandando o povo embora

Algum tempo depois as minhocas viraram cobras

E hoje vejo a disputa das partes por todo lado

Já é parte do cenário, como cartazes colados

Ou muros bombardeados por latas de spray

A vida nossa volta solta estímulos em três dimensões

Diz-me quem sois que eu te digo com quem andas

Nas cirandas do rap eu vivo

Negativo e positivo em equilíbrio duvidoso

Graças à alguns palhaços mais fortes do que o Bozo

Meu flow é como fogo de água ardente na mente

Ignorar não dá, é impossível, pois você sente

As influências do ambiente hostil em transformação

A situação em mutação provoca muita ação

E reações, inesperadas, desesperadas

Revoluções pré fabricadas, não são nada mais do que um produto

Vendável, enlatado, empurrado pelo www no seu rabo

Eu roubo a sua atenção por alguns instantes

Falando de um futuro presente em alto falantes

Gigantes com gigabites, gingando igual capoeira

Nova era, é nossa hora de fazer história e chega


[Verso 4: Rick]

Quem tá no jogo segue o globo, se vira, se mexe

Atrás do cash, não é bobo, não esquece a correria

Nem um troco, fala a gíria todo dia, é maioria

Um cara simples da periferia

Rumo ao centro, sem demagogia

Eu tô dentro dessa fita, sempre atento

É lento o processo da mudança

Mas quem espera alcança

Assim que a gente avança


[Verso 5: Kamau]

Tudo que eu faço é pra ser clássico

Não só mais um traço no compasso

Revolucionário do silêncio sem estardalhaço

Pra ser palhaço nem precisa do nariz vermelho

É só fazer o que não sabe sem se olhar no espelho

Cabeça não é só pra ser suporte do cabelo

Vê se usa o cerebelo que tem nela

Seja favela ou condomínio

Mantenha o seu domínio

E tenta exercitar o raciocínio

Pesquisando no antigo pra entender o atual

E construir um bom abrigo pra esperar o seu final

É o que eu quero pra mim, nem tô afim de ficar pra trás

Tentando ler a distração no envelope de Anthrax

Hip-hop capaz de ampliar ideias

Que se transformam em um simples verso numa epopeia

Que tremam construções pela cidade, pelo certo

Que assim caminhe a humanidade


[Verso 6: Parteum]

É de um império em ruínas que surge o novo bem mais forte

Nunca conto só com a sorte pra deixar o meu destino mais bonito

Acho esquisito ser o furo em estatísticas do meu país

A rima é como a cicatriz que te faz

Lembrar do tombo, quatro guerreiros nesse "combo"

Onde um faz pelo outro, e o outro faz pelo um

Code-nome Parteum, bem mais que um MC ou produtor

Eu faço por amor

E, sim, aceito o desafio da mudança

Quem se lança contra o bem bate num muro e morre

Duro como o pão que o diabo amassou

Vivo do que sou, espero o fim da negociação

Como Mulvaney num dia de cão

Nessa época de épicos, líderes céticos, aumenta a desavença

Entre ricos e pobres, vamos, me diga o que é ser nobre

Na pobreza desse mundo que te diz como crescer

O que fazer, quando morrer

Eu quero mais que esse sofrer calado

Intenso como o sol da morada

De onde vinha os meios, perdem os fins

Sente-se a beira de uma praia e ouça a vaia da mãe natureza

Destruir sua beleza é como viver sem nenhuma certeza


[Verso7: Rick]

Vim pra tentar, muitos não vão chegar, eu sei

Poucos vão restar pra divulgar o que pensei

Quem vai sobrar? Quem vai marca, quem vai fica?

Se ninguém leva a sério quem vai te história pra contar?

Então separa meu nome no seu arquivo

Se depender de mim quem vier vai ter motivo

E incentivo de sobra pra aprender a matéria

Acabou a brincadeira, agora a coisa é séria