Released on May 8, 2019

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[Verso 1: Big P]

Não sou um anti herói, eu sou o vilão

Sem hipótese de redenção

Nem remorsos, salvação

É p'ra quem mede esforços

P'ra mim não

Nem reforços

Só o suporte do meu pobre coração que só se fode

Não encontrarão num só spot

Quem percorre com a solidão na escuridão

Enquanto o sol dorme

Em slow-mo na contenção, chega só come

Só que viver disto é correr risco, mas eu sou pobre

Também sou forte, tem que ser sócio

Temos que ter ódio p'ra combatermos os mesmos demónios

Enquanto fizermos nós estes negócios

Enquanto tivermos estes hobbies

Entretanto mulheres rezam por estes jovens

Em tantos a morrer esperam que estes sobrem

Envolvem-se com a sacanagem porque sabem que eles podem

E sobra só homenagem a azarados que se fodem

Quem não tem cão, caça com gato

Quem não tem pão 'tá-se a cagar (bro)

Quem não tem fome vai-te julgar

Sem conhecer a dor sem da bo mão, sem te ajudar

Quem não tem nada a perder, tem tudo a ganhar

Tu faz o que tens que fazer e deixa-os falar

Diz "beija me o caralho", pensa no teu bem estar

E se eles forem chatos, tenta-os matar


[Refrão: Big P]

Porque pode ser que consigas entender o vilão

Se conheceres as origens, sem tu teres que dar razão

Nem todos seguem a mesma via nesta vida, irmão

Mas pronto, há de haver um equilíbrio

Onde houver um amigo que te dê a mão

Eu deixo-te cair da ponte

Sempre com um sorriso, até aos ouvidos

Até já ouvir meu pedido, e eu cair morto


[Verso 2: Tilt]

Não sei se era suposto mas cá estou...

Dizem-me que eu não presto

Eu digo q'um vilão é a versão dum herói honesto

Verdades desagradáveis são espasmos do meu rap

Tipo que eu cuspo com Síndrome de Tourette

Negro como um Dugpa no Tibete

Negro como um Santo no inverso

Negro como o pano de fundo do Universo

Perverso como o Deus do Velho Testamento

Para que ninguém peque

Através da fome, guerra e peste!

Aquilo que eu mais detesto? Hipocrisia

Hip-hop que se dizia puro, mas dá-lhe tempo e trap

Agora vais culpar o tempo? É que o tempo mata

Isso dói durante um tempo, mas isso com o tempo passa

Eu garanto-te

Embora eles não oiçam, quê? Querem que eu Kant?

"Se a verdade os mata, então que morram"

Fiquem lá com o Yang

Enquanto ORTEUM e 69 é a dream team

Que rima o Yin p'a equilibrar o mambo


[Verso 3: Revo-T]

Real thuga modafucka, aquele puto pula foda

Se lhe deres muita corda é com ela que ele te enforca

O Rap Tuga É Uma Merda, mas isso não é de agora

Agora só tem mais merda

E o que é merda, vira moda

'Tou a pegar fogo ao rap com um fosforo molhado

A provar-te com o impossível a sua possibilidade

Trago a habilidade sem amabilidade

E a qualidade da maldade no seu estado elevado

A bondade é para fracos como tu

A realidade dos factos a olho nu

São humanos aos pedaços

Buracos no solo dum mundo cru

E putos a serem mortos só pela inveja dum

São beefs que não são beefs de dreads de cu tremido

Onde eu não oiço os nomes eu não vejo o sentido

E é claro que também não digo, isto é letra, não é lista

Sobre isso, se abrisse o bico, nunca mais daqui saía


[Refrão: Big P]

Porque pode ser que consigas entender o vilão

Se conheceres as origens, sem tu teres que dar razão

Nem todos seguem a mesma via nesta vida, irmão

Mas pronto, há de haver um equilíbrio

Onde houver um amigo que te dê a mão

Eu deixo-te cair da ponte

Sempre com um sorriso, até aos ouvidos

Até já ouvir meu pedido, e eu cair morto


[Verso 4: Mass]

Não julgues um vilão pela capa, um carocho pela papa

Um digra pela faca que já tem hora marcada

Eu cresci onde havia nada, uma geração estagnada

À espera que o sol brilhasse p'a todos

Mas não há milho p'a pombos que vivem de encosto

Ver que no seio da loucura há muitos loucos - tudo podre

Venderam-se como porcos e culpam a inocência

Mas andam com olhos no chão com o peso da consciência

Valeu a pena? Eles passaram-te a perna, sem pena

Foi job vê-lo a morrer à fome

Cicerone de um microfone que nunca escolheu o dono

Com a vergonha ao colo de se sentar nesse trono

Eu sou donde existia um modus operandi

Para lidar com esses Dandies

Pelo na venta como um Amish

Aqui um vilão é feliz

A sentir-se ambientado com amigos mega junkies


[Verso 5: Nero]

Existe um vilão em toda a parte, ganância

Corrupção em toda a parte

E dedos apontados p'a te pôr aparte

Segredo 'tá escondido como a mão de Bonaparte

Desde a margem do Tejo até à margem do Sado

De volta ao boom-bap raw, enquanto tu bebes grog

Sei que sentes que essa merda lá no fundo, mete dó

Beef 'tá na moda? ORTEUM fecha um pipe, tchilla

Aqui o calibre é 69, não venhas com 9 Millas

Vens dar p'a herói? Wack da cabeça aos pés

Só p'a bytar o Blasph, lanço o teu Cd para o Tejo

Porque o teu melhor MC ao pé de nós, no mic, é zero

E se eu baico, ele byta o Nero. Trás de volta o "Valter-Cego"

E p'ra ti irmão, só temo pelas companhias

Há certas energias que não são me'mo compatíveis

O Homem semeia a paz, mas no escuro compra mísseis

Tens de matar o vilão p'a então passares p'a outros níveis


[Refrão: Tilt]

Porque pode ser que consigas entender o vilão

Se conheceres as origens, sem tu teres que dar razão

Nem todos seguem a mesma via nesta vida, irmão

Mas pronto, há de haver um equilíbrio

Onde houver um amigo que te dê a mão

Eu deixo-te cair da ponte

Sempre com um sorriso, até aos ouvidos

Até já ouvir meu pedido, e eu cair morto