Trabalho e Conhaque

By ORTEUM

On Perdidos & Hashados

Released on April 10, 2016

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[Intro: Nero]

Trabalho é trabalho

Conhaque é conhaque (Hey-yo, warup?)

Lê no contrato

Trabalho é trabalho

Conhaque é conhaque

Normalmente não ganhas em misturar

Só vês a verdade ao constatar um facto

Mas não sou melhor pessoa para te aconselhar


[Verso 1: Nero]

Vais-me encontrar de copo cheio no estúdio

Para entrar no mood

Ou a queimar e a fazer fumo

Antes de entrar no bules

Mesmo que a vida mude, mantém-se a dica do costume

A veres-te metido em trabalho por excesso de consumo

E os processos estão no lume ou arquivados

À pala de atos presenciados ou praticados

Sem factos para evidenciar como agi mal

Mas se o move traz-me o essencial, vou praticá-lo

(Normal) Já é habitual

Só agora é que 'tás a sentir o estalo

'Tou tão high a dar nos concertos

Já nem sinto os pés no palco

Esqueço a letra, ya

'Tou com ganda stone

Dou freestyle e ouço alguém a gritar mais que os microfones

É o Luís Paulo

Num instante, whisky bate ao ponto de esqueceres a frase

Na altura em que tinhas de estar inteirado

Se bebesse uma beca menos

Eu estava mais focado

Mas gosto de cruzar a barreira entre trabalho e conhaque

Por uns considerado besta

Por outros Jorge ou Ol' Dirty Bastard

A querer beber quando já nem money resta

Álcool sobe à cabeça e há altura em que ele se manifesta

Puxa o cabo, tropeça

E é assim que acaba a festa


[Bridge: Nero]

Já nem devia ter fumado dessa broca

(Mete uma pedra de gelo nessa moca)

Já nem devia ter fumado dessa broca

(Mete uma pedra de gelo nessa moca)

Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque


[Verso 2: Oaoji Odialevi]

Como viver no paraíso

Ser bombista no Iraque

Nada se perde, tudo se transforma

Nada se pede, luto da melhor forma

Não fugir à norma de uma boa atitude

Não seguir agora, esquecendo a virtude

Uma cabeça que não se ilude

Conhaque, fruto do teu trabalho

Será que é mais fácil seguires por um atalho

Alma empalada, eu e a minha escrita

Numa longa caminhada

Baseias a tua vida numa linha já traçada

A minha mente infinita, jamais formatada

Criando o meu próprio eu

Educando o próximo, fortalecendo união nesta estrada

Muita curva acentuada

Esta vida é uma chapada sem saída, sem entrada

O lado esquerdo ou direito

Caminhando pelo centro com o bongo sempre ao peito

Fumo cinzento no meu interior imenso

Onde não existe espaço para a dor e penso

Não devia ter fumado dessa broca


[Bridge: Nero]

Já nem devia ter fumado dessa broca

(Mete uma pedra de gelo nessa moca)

Já nem devia ter fumado dessa broca

(Mete uma pedra de gelo nessa moca)


[Verso 3: Vácuo]

A vida é feita de pequenas coisas

Cada um se deita na cama em que pôs as colchas

Há perigos à espreita, dependes das tuas escolhas

Não digo "aceita", apenas pretendo que oiças

Versos complexos

Sem modos para este jogo

Rap é o universo, o meu som é só um globo

Repete, é isso que peço

Para veres se ele é redondo

Objetivo é ser completo

Mas só o sou depois de morto

Mas tudo tem uma razão para acontecer

Não ajo em vão se o cifrão aparecer

Por mais que seja esquisito dizeres não ao guito

Só vês notas e no fundo nem dás por isso

Eu dou por mim

Sinto mais um aviso

O caminho é por ali, mas eu vou de improviso

Direita ou esquerda, mano

Um do li tá

Eu sempre fui em frente, mas agora já está

Não me arrependo do que fiz

Ou melhor, arrependo do que posso fazer

Porque sei que vem aí pior (Get it?)

Há que saber diferenciar as merdas

Eu vivo disto, logo nunca tenho férias

Bulir no duro vai dar sempre resultado

O futuro depende tudo do que hoje em dia faço

Não falho no avacalho, conhaque é conhaque

Mas trabalho é trabalho

E isso qualquer um sabe

[Verso 4: Mass, Nero]

Hoje duvidas de tudo e todos

Mesmo estando longe

Trancada entre quatro paredes

Onde o vício te fechou

Mas tiveste alguém por perto quando a noção foge

O caminho é em frente

Esquece o que o passado guardou

E não foi ele que moldou

Foram dois pais e um avô

Que te ensinaram a ti

Tudo o que o esforço ensinou

Dias menos bons levaram-te para onde não querias

Ao querermos ser imortais

Mas estragamos todos os dias, é a rotina

Que já pouco nos ensina

Vida é um risco, ou cheiras ou não

Opção nítida

O globo está louco, ao colocar-te nesse sufoco

Não esperes nada de quem te pode dar pouco

Miúdo és inteligente

Mas a cabeça às vezes não permite

Decidir o certo do errado, isso é fodido

Até as mentes mais geniais quebram

E agora estás a sentir na pele

Onde os erros nos levam

Anjos também pecam

E na verdade

Já não temos idade para nos trancarmos nesse quarto

(Trabalho é trabalho

Conhaque é conhaque)

E o teu estava pingado

E à parte nesse bar

Há que saber recusar e saber o que és

Já nem a terra é firme

Onde vais meter os pés?

Lembra-te que és bem mais do que isso

Tu és bem mais que vício

Sai desse artifício, já

'Tou todo perdido e hashado

Eu sei que tou

Não devia ter fumado

Não devia ter fumado

ORTEUM, Perdidos e Hashados

Não devia ter fumado

Dessa quê?

[Bridge: Nero, Mass]

Já nem devia ter fumado dessa broca

(Mete uma pedra de gelo nessa moca)

Já nem devia ter fumado dessa broca

(Mete uma pedra de gelo nessa moca)