Released on March 19, 2021

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[Intro]


[Verso 1]

Delinquente, sou crente no crime

Eloquente, quando crio estou quente no crib

Insuficiente, sempre preso na cripta

Peso a orbitar, pego na caneta a gritar

Obrigado a ser assim num sonho separado

Da realidade onde saio incinerado

Ensina-me a simples arte de enganar quem não é parvo

Sabe que é mais um escravo, no fundo enganado

Limpo a lamparina, sou um mago

Uma verdade de la palice, sem police no meu yard

Com quinze anos vi que o certo e o errado

São meras escolhas da vida de quem é esperto ou tapado, bom

Não me arrependo de ter pisado o risco

Deixo a cabeça ao relento para curar um quisto

No coração, a cidade acha que é fuga ao fisco

Mas a expressão está na minha liberdade, insisto

Bem tentei, mudar a minha atitude

Não creio, que iria sair sortudo

Atei, uma ancora ao fundo do poço

Que eu nunca quebrei

Não poupei, caracteres

Nesta epopeia

Sem talheres devoro esta ceia

Conformismo é o teu prato

Nesta ratoeira

Vivemos na

Cultura da embalagem que despreza

O conteúdo e dá destaque á beleza

Porque a imagem manipula

Um abelhudo e esconde a sua incoerência

Surpresas

Podem vir do karma escuro e das ofensas

Que tu expeles com raiva nessas conversas

Atropelaste nas talhas

Tens sempre a tua "paciência"


[Bridge]

Eles só pediam para eu sorrir

E eu não sabia porquê

Eles só pediam para eu falar

Mas eu não era capaz

Eles só pediam para eu sorrir


[Verso 2]

Palavras navegam no universo

Voltam em formas gigantes, abanam-te o alicerce

Excesso de confiança, não confio numa fiança

Uma aliança emprestada só é de quem a exerce

Toxinas pegam-se á pele

E levam-te ao céu

Transmitidas por um papel

Ou por um pixel

As duas podem vir dos teus amigos

Sobem duvidas até nos mais antigos

Vim para limpar a língua

Lapidar na Lisa

Detido em delito

Por furtar mais lítio

Lecionar as crianças perdidas

Como se morassem no Líbano

Se és tóxico

Eu bloqueio-te é lógico

O cansaço é sólido e eu só estou

No sótão no meu mundo cósmico

A criar paredes com rosas

Num mundo onde eu sou misantrópico


[Bridge]

Eles só pediam para eu sorrir

E eu não sabia porquê

Eles só pediam para eu falar

Mas eu não era capaz

Eles obrigaram-me a sorrir

Eles suplicaram para eu falar

E eu só gritava a perguntar: o que é que eu faço aqui?

Não sei não, não sei não não, não sei não, não sei irmão não sei

Não sei não, não sei não não, não sei não

Sempre a forçar o meu riso

Se é para forçar o meu riso