35

By NGA

Released on November 3, 2017

Thumbnail

Antes de tudo, obrigado

Por teres estado do meu lado

E ter dado força pra um gajo entrar na morgue

E encontrar a morte

De quem me deu a vida

Dona Clementina João Almeida Pascoal

É o seu nome

Deste força pra ligar pra casa

E lentamente matar a família pelo telefone

Por iluminares o caminho que trilho

Por dar saúde aos meus filhos

Pelo brilho que deste ao puto que vivia de trocos

Hoje vive de trocadilhos

Por me ensinares a perdoar aqueles que apontam

E segregam

Que com a maldade se drogam

Na mentira se afogam

E não praticam aquilo que pregam

E o que chamam de amor é brincadeira

Quando crianças passam fome

Com isso, não se importam

Não se revoltam

Depois é suposto morrer pela bandeira?!

E quando fui atrás do pão no huambo

Cunene e Malanje

Vi que a minha angola já não tem guerra

Mas também vi que angola ainda não tem paz

Vi que o cabo-verdiano, o angolano e o guineense

São bem-vindos

Ou melhor recebidos

Na europa, quando a economia em África cresce

É interesse

Vi que o resto ao lado passa

Quando o assunto é caça à massa

A grana

Vi desgraça no olhar das crianças

Só vi uma raça

A raça humana

Que é a que ganha

Com essas mortes na cadeia

Com os atentados em Espanha

E o mundo com medo do norte da Coreia

E a minha pele castanha é castigada

Com o suporte da assembleia

Eu vi a justiça a voar

Ela foi com os ventos fortes da madeira

Se é luta mano, eu tou nisso

Minha palavra, minha honra, compromisso

Minha arte, minhas rimas, meu flow nisso

Babe, o padrinho e o pro nisso

Tornei-me um pro nisso