Released on March 18, 2018

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[Intro]

Não, agora sem tangas

O demónio mora ali na...

(Olha, cala-te só um bocadinho)

Ai, a...


[Verso 1]

A sério alguém me diga: "Morde a Língua"

Calo ou mostro a ferida

Gasto no que gosto saliva

Sem me pesar nos bolsos a guita

É isto a "fome de artista". A sério (shh!)

É o senhor mistério

Como o orçamento do mês que se aproxima

A mó acima?

(Nunca vi e enfrento moinhos durante o dia

Enquanto contenho o ódio que, à noite, coloco na fita)

Distante da foto antiga

Um miúdo tão promissor

A dada altura parece que perdi o Norte na vida

Verdade. Há para aí uma tropa de tipas

Que, se pode, forma fila para me ver branco

A esvair-me em sangue, com um corte na pila

Não vou ter uma morte tranquila

Sem pressão

Colheitas perdidas

Se não tenho ideias, não chove na vila


[Interlúdio]

- Muito bom

- Entendo a mensagem, mas... Não entendo o propósito

- Não te deixes afectar, puto. Tu não bates, mas és o melhor


[Verso 2]

Tá...

Mais outra Pollockada na tela e contemplo aquela obra prima

Reflicto enquanto escorre a tinta

(Atravessamos uma magnifica fase da música)

Em que toda a escória roça pimba

Só cantigas para cair no goto dos putos estúpidos de hoje

Que, pelos vistos, são quem agora suporta firmas

Não posso cair mas

Das duas uma:

Ou estou um cota ou sou o último que adora escrita

Agora em horário próprio

Se me der na telha, trabalho só nas quintas, como um campónio


[Interlúdio]

-Ahm, dá para ver que o amigo tem aqui uma coisa com rimas toantes

- É aquela rima toante. Sabes

- É, reparei. É bom, é bom

- Há pouco eu só queria dizer que...


[Refrão]

O demónio mora ali na

Porta em frente à porta em frente à minha

O demónio mora ali na

Porta em frente à porta em frente à minha

(Xiu, chibo.)

Ele mora ali na porta em frente

À porta em frente à minha (Não tem nada que enganar)

O demónio mora ali na porta em frente à porta em frente

À minha

- Na medida que o meu mal não vem de fora

- Sim, "Auto-sabotagem". Sei. Gosto muito. 'bora


[Verso 3]

Escritório na caverna

Dá-me o toque. Avisa-me que é seguro sair

Quando garantires que não mais o Sol se avista

Nada importa. Aqui na toca eu estou OK

Auto-medicado, eu nivelo a dopamina

Discurso amigo da moca, sim, mas não coloco a esquina

No radar embora este património não se resuma só a notas limpas

Se vem por fora, fica

Quê? Não vou ter reforma, explica

Deverei aguardar uma derrota digna?

(Deverei eu ficar)

Até à morgue na fila ou implorar por uma melhora

Fixado no crucifixo enquanto oro a uma hora fixa?

Pois, sem firme fé na fria norma

Frito na chama eterna

Sem ouvir aquela voz amiga do Morgan Freeman?

Legião é o meu nome e eu indico onde a porta fica

O demónio mora ali na

Porta em frente

À porta em frente à minha

Topas? Siga. Que eu sou torto

Até quando esta corda estica depois do nó na dita

Daqui para fora. Finda-te

- Quê? O que é que ele disse?

- Finda-te


[Ponte]

"- O que acho disto? Acho que isto é uma coisa bonita...

- Isto é muito bonito

- Posso falar, se faz favor? Eu primeiro posso falar."

(Morde a língua.)

Eu primeiro posso falar. É uma coisa que...

- Posso falar?

- 'Pera aí, calma

(Morde a língua.)

- Agora...


[Refrão]

O demónio mora ali na

Porta em frente à porta em frente à minha

(ali na porta em frente à porta em frente à minha.)

O demónio mora ali na

Porta em frente à porta em frente à minha

(É ali na porta em frente à porta em frente à minha, padre. Juro.)

Ele mora ali na porta em frente

À porta em frente à minha

(Isso nem sequer me faz especial.)

O demónio mora ali na porta em frente à porta em frente

À minha

(Demónio mora ali na porta em frente à porta em frente à minha)

Xiu, chibo