Valsalva

By Negus

On Oceano

Released on October 24, 2016

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[Verso 1: Nego E]

As paredes são finas, ouço vozes

Levei meus monstros, zoonoses

Controle, corpo é obra prima

Pede dose de auto estima ou de cirrose?

Mãos são imãs ferozes

Belas modelos tendo overdose

Pulmões são minas de diamante

Morrem num dia quente, o carvão e a tuberculose

Coração domina, olhar na cédula

Hipnose fede a célula com necrose

Fugi da psicose, fumei na celulose

Punho cerrado aqui não é só pelo close do Snapchat

Pose, posta o último instante

Bosta, ela já me fala que não sou como antes

Que eu tô mais distante nos últimos 12 meses

Que vai ser diferente das últimas 13 vezes

Que queimou as nossas fotos da estante

Em que me deixou falando quando me deu as costas

Aqui o máximo, nunca é o bastante

Aposta na pergunta errada, acerta a resposta (2x)


[Refrão: Nego E]

Mergulhei fundo mano, não pra ser segundo plano

Era um segundo me perder no mundo mano

Voando sem dano mano, nesse aeroplano

Onde você tava quando era só um plano?


[Verso 2: Nego E]

Água e sal, pé de meia, pés na areia ou pás de cal?

Fodendo com ontem pra nascer o amanhã

O carregador do iPhone é seu cordão umbilical

Cê consegue salvar o mundo sem postar no Instagram?

Filho pródigo da pílula do dia seguinte

Quebro códigos, mortes com requinte

De crueldade, pago preço do que exerço

Uma mão balança o berço, outra conta o terço

O padre segura o coldre, o governo segura a Bíblia

Não há mais nada ali, todos somos Namibia

Sem cão-guia, sem bom dia

Quando me via, ela a bolsa escondia

Diante o plano 13 de Maio, bela vista

Na Lei Áurea a responsa é a resposta

No carro tinham quatro, vira de costa é isca

Giroflex alto, aponta a peça e diz: encosta

Em frente ao cano, defesa legítima

Minha mãe rezando pra Nossa Senhora de Fátima

Jaz mais uma vítima, digno de lástimas

Afogo num mar de lágrimas, pedindo as últimas

Forças, onças, conchas e pérolas, pera lá

Acorda desse sonho e vai viver

Torça, Carolas, quimeras, quem dera quem opera minha shangri-la

Só sabe sofrer


[Verso 3: Jé Santiago]

Só sabe sofrer, só sabe sofrer

Quem vem de onde eu vim não tem nada a perder, tem nada a perder

Vejo tudo cinza, duas luzes que piscam

Não entendo essa brisa, o que vai acontecer?

Mandou encostar, por as mãos pra cima

4 da matina não tem ativista pra me defender

É, pra me defender...


[Verso 4: Drik Barbosa]

Minha alma transpira

Dentro do meu corpo

Muita calma, reviva

Veneno no copo, tudo em torno, traíra

Vejo tudo torto, tanto trauma revira

Nado pra cima

De baixo faz fila

Pra ver me ver caída, expectativa

Na mente do falso inveja cativa

De frente dos caco, descalço vacila

Sou fera ferida, curada

Mergulho nas madrugada

Durmo acordada

Um olho na vila e o outro na estrada...

Na vila e o outro na estrada

Os palco da vida, nas rima avançada

Pisca, que eu roubo sua brisa

Trisca, nos meu que eu te quebro

Me afogo e me elevo, repara nas pistas