Mata Hari

By Negus

On autorretrato

Released on November 18, 2014

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[INTRODUÇÃO]

Aqui sou Mata Hari, me disseram que esse nome significa Luz do Dia, gostei, porque durante o dia é quando sinto que posso ser eu

Aqui eu tenho que ser feliz, na verdade tenho que me mostrar feliz todo o tempo

Falsos sorrisos, falsos gemidos, falsos prazeres e ilusões...mas as notas, as notas são reais

Pra aguentar essa realidade eu tento fugir o máximo dela, pra poder chegar, sustentar meu filho e se for preciso derramar mais lágrimas

Pra ver ele com um sorriso no rosto eu não vou medir esforços

O futuro? Eu nunca penso no futuro...


[PARTE I]

Pó branco, cocaína com talco

O nariz entupido, sem saber se era morfina ou álcool

No banco de trás de um Chevette velho borrou o batom vermelho

No pau de um velho chamado Falcon

Dias difíceis, bordel e hidro

Uma fagulha vivia entre agulhas e cacos de vidro

Brilha em palco de boates sem alvará

10 da manhã sem máscara sonha com quem a salvará

Saravá, todo dia ela faz sua reza

Com destreza se protege, mulher que se preza

Seu ritual: Olhos fechados e perna aberta

Predadora não presa, mas ela nunca tá liberta

Sai ilesa de mais um, nada contra a correnteza

Despertador toca, faz com que ela não esqueça

Mais um dia de trampo, retoca a falsa beleza

Você é linda mulher, levanta sua cabeça


[REFRÃO]

Mata Hari, vivia onde matar não é raro

Um tiro, um disparo (2x)

Mata Hari, ser você mesma custa caro

Um tiro, um disparo (2x)


[PARTE II]

Cuida do filho, um trago, aguenta, precisa

Toma tapa e afago sem vontade sob efeito da brisa

Ela passa e os problemas ficam

Vai pra caça, abutres bicam

Estica mais uma carreira, vida revogada

Esquece sua carreira como advogada

Aqui não tem juíz, todos tem culpa

Aqui jaz, sem jazz, réus sem desculpa

Terapêuticos, o cachimbo e a luz da lua

Busca remédios com farmacêuticos da rua

Sem receita, sem bula, ela burla leis

Se ajeita, hoje tem cliente às seis

Mais dias e pã, mais Diazepam

Seu filho vê Lex Luthor e ela só Lexotan

Em meio a ácidos, lança, éter

Flácidos e fétidos a espera de um cateter


[REFRÃO]


[PONTE]

Mais uma pílula, dilatou sua pupila

Partícula, num quarto particular

Rotina dessa heroína, viver na alta cúpula

Arrepio na medula à jugular (2x)


[PARTE III]

Último tiro, último disparo

Último suspiro, última chance de reparo

Ela pensou, uma, duas, três

Concluiu e se precisasse faria tudo outra vez

De pernas fechadas e os soldados vendados (ironia)

Dormiu com o pelotão que a fuzilaria

“Cuida bem do meu filho”, seu último desejo

Condenada a morte, se despediu com um beijo