Âncora

By Negus

On Oceano

Released on October 24, 2016

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[Verso 1]

Minha depressão tem sua voz e tá pedindo pra que eu morra

Minha ansiedade tem sua voz e tá me dizendo: corra

Tudo me força a obedecer, entre Sodoma e Gomorra

Afinal quando recusei o que me pediu pra ser? Em tal que sangue escorra na gangorra

A sós, minha timidez não tem voz e me deixa aqui parado

Lucidez nos lençois é o que me deixa alucinado

Esses anjos de Lucifer, qual luz se vê, o que me conduz

Não se vê, afinal agora você decidiu apagar a luz e não se despir

Mas se despedir e adiantou eu pedir pra ficar aqui

Pra tentar se sua decisão tinha sido tomada

Minhas mãos molhadas no fio solto daquela tomada

Seja a escolha mais sábia a ser tomada

Vivendo entre a cruz e espada, na noite calada, eu sigo calado

Ouvindo sua risada, os passos na escada

Minha vida é uma droga

Acho que eu tô viciado


[Verso 2]

São sombras que me perseguem mesmo em dias nublados

Lembrando como a gente odiava aqueles filmes dublados

Acho que éramos nós os personagens dessa trama

E hoje eu acordo confuso onde era seu lado da cama

Rezo por melhores dias

Na verdade não sabendo o que fazer nas orações

Peço na prece ou agradeço, extendo o prazo ou pago preço

Reconheço o que mereço entendo suas decisões

Enquanto um quer outro não, enquanto o outro quer, um não

Goles de Curaçau não curam meu coração

Vítimas dos próprios erros e refém de nossas escolhas

Nossos encontros hoje são como enterros e gritos ecoam em bolhas

A gente viveu sem cuidado com a profundidade, no fogo cruzado

Vive o inverso nesse nado não sincronizado

Lado a lado, coloca os pés nos meus ombros

Mesmo que eu fique submerso e agonize afogado

Fomos prelude caindo na Ilhas Marianas

Niimitz bombardeando Kermadec

Queima o beck, pesadelos de noites insanas

Cheiro do Malbec, com cigarretas cubanas


[Verso 3]

Sem sua manha de manhã

Não sei quem me acompanha amanhã

Garganta arranha, coração apanha

Solidão acompanha e no fim do jogo ninguém ganha

Ouvi que os fins justificam os meios

Rolando páginas sem fim lendo seus os e-mails

Somos sinônimos do cúmulo

Mais um dia 23 e eu vou regar as flores do nosso túmulo

Seguindo aos poucos, juntando cacos

Quisemos ser loucos, mas fomos fracos

Fria esfinge não finge, eu paciente monge

Eu te quero bem, enquanto você me quer longe

Cultivo borboletas mortas no meu estômago

Ataca o âmago, pensamento retrógrado, sem afago derramo

Uma parte do drink no copo agora vazio

Caiu na vala com todos os eu te amo

Fala, vai, me atropela, diz se eu errei

Vive uma bela vida sem lei

A vez é dela, rainha sem rei

Minhas melhores cartas foram aquelas que não enviei