[Verso]
Sou cria de Sergipe e o cangaço honra minha terra
Aracaju é brabo, o crime aqui não tira férias
Todo dia, dia e noite pulo o muro e quebro regras
De manhã na escola, a noite faço a minha festa
E zero, um, dois, três da madruga tamo lá
Debaixo de uma árvore brincando de papel bolar
A natural é titular; a prensada é reserva
Troquei o chove hambúrguer pelo "tá chovendo erva"
O tártaro chegou e mexicano produziu
Apoio sempre me faltou mas o meu ódio conduziu
Não fez bem pro coração, mano o que muda afinal?
Depois tanto ser quebrado cê espera ele normal?
Subo degraus com livros, ver a verdade me enjoa
Sair da bolha traz consequências que apavoram
O caos tá comandando enquanto vocês acham graça
Estudo seu comportamento e ataco suas falhas
No estúdio represento a frase "nordeste não teste"
Apelidei de tramontina cada verso do meu rap
Sapiente não se esquece da real missão
Não vou cantar pra dançarina na televisão
O rei está nu, e a justiça de maiô
Não vim pra me esconder atrás de um computador
Luta é na rua, meu protesto é gritante
Cês querem ser principal mas não passam de figurantes
O coiso tá eleito e a coisa tá ficando séria
Eu já não tinha paz, agora vão tirar minhas férias
Feras aparecem pedindo a minha atenção
Garota olha a minha cara de quem liga pro seu não
Eu sou o cara do ele não
Se tu não vai com minha cara não precisa ouvir meu som
Pra tu não ficar de cara e perceber que eu sou bom
Pra tu não ficar com raiva e admitir que eu sou bom
E sigo abortando os fetos
Que querem se apropriar da cena
E na guerra são quetos
Na opressão se abstém
Depois vem pagar de adulto por não apoiar ninguém
Não sou Bin Laden mas o meu plano é terrorista
Tipo homem bomba correndo atrás de turista
E a bomba é lírica, explosão poética
Minha rima é cítrica, expressão de época
Rap é meu mantra, meu buda é libertado
Pastel bolado e o beat já sampleado
Rap sergipe tá na cena pra agitar
Ascensão dos 79, nosso rap vai brilhar