Released on September 8, 2023

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[Intro: Excerto do Poema "A Cena Do Ódio", de Almada Negreiros]

"Tu, que te dizes Homem!

Tu, que te alfaiatas em modas

E fazes cartazes dos fatos que vestes

P'ra que se não vejam as nódoas de baixo!

(...)Tu que te dizes Homem!"


[Verso 1: Mundo Segundo]

Não é quantas vezes cais, é quantas te levantas

Quantas vezes sais para bulir até às tantas

Só vejo gargantas, quantas ilusões de artistas

Quantas enveredadas em palcos e entrevistas

Muitos destes putos não sabem o quanto custa

Torram dinheiro sem poupar para uma queda brusca

Meu Deus até assusta, tal é o nível de ignorância

Faço uma prece por estes jovens no jardim de infância

Vejo a desinformação ser notícia do dia

Dessensibilização, dormência e apatia

No mundo digital a estupidez é gratuita

Na autostrada da informação a verdade não transita

Cancelamento humano, o brilho do estatuto

Mais um milhão se seguidores, figuras de culto

Mais um cego sem visão, já homem adulto

Transmissão na audição, o teu amigo oculto


[Refrão: David Cruz]

Quem te disse que a vida era fácil

Podes crer, enganou-te bem

A montanha só te torna ágil

Se o topo não te faz refém

Quem te disse que a vida era fácil

Podes crer, enganou-te bem

A montanha só te torna frágil

Se é o topo que te faz refém


[Verso 2: Mundo Segundo]

Não é quantas vezes cais, é quantas te levantas

Quantas vezes sais para bulir até às tantas

Para garantir que esse teto se mantém intacto

Para garantir que esse feto nunca veja o saco

Para que a família não conheça a visita ao domingo

Quem joga com liberdade é raro fazer o bingo

Na chuva de azar é raro passar entre o pingo

Eu prefiro ‘tar na paz a fumar do cachimbo

A fazer da folha branca o meu único vício

E se for ‘pa partir ossos, que sejam do ofício

Com o foco do início e a mesma fome de sempre

Um passo do precipício encaro a morte de frente

E sem temer avanço, 'tamos todos na fila

E eu jamais me canso de pôr no mapa a Vila

Enquanto o céu cintila por quem partiu na luta

Carregas na mochila esse peso da culpa


[Refrão: David Cruz]

Quem te disse que a vida era fácil

Podes crer, enganou-te bem

A montanha só te torna ágil

Se o topo não te faz refém

Quem te disse que a vida era fácil

Podes crer, enganou-te bem

A montanha só te torna frágil

Se é o topo que te faz refém


[Outro: David Cruz e Mundo Segundo]

Quem te disse que a vida era fácil

Podes crer, enganou-te bem

A montanha só te torna ágil

Se o topo não te faz refém

Quem te disse que a vida era fácil

Podes crer, enganou-te bem

A montanha só te torna frágil

Se é o topo que te faz refém