[Letra de "Pólos Opostos"]


[Verso 1]

Já me senti mais perto, mas já estive mais longe

Eu fui um jovem ontem e sou um homem hoje

O tempo era lento agora passa a correr

Já vivi nesse sonho agora tento não adormecer

Antes viver na luz do que morrer à sombra

Antes pacificar do que ajudar a armar a bomba

Tu sê mais criativo, do que competitivo

Isso é imperativo isto é só um aperitivo

Pra abrir o apetite das consciências mais famintas

Será que não vês a gravidade das armas com quais tu brincas

Mano nesse presente não existe qualquer futuro

Será que estas consciente do quanto isso te torna imaturo

Encontrei-me um dia enquanto me perdia à medida que lia

Tudo aquilo que escrevia foi um momento de magia

Não chegaria até aqui sem decifrar os sinais

Teria ficado pelo caminho, pelo caminho que tu vais


[Interlúdio]


[Verso 2]

P'ra mim começava a noite, onde nascia o dia

O sol não espreitava, quase sempre chovia

Sempre fui um sonhador, no bairro do pesadelo

Uns tentavam cala-lo, eu tentava dizê-lo

Mil pulmões abertos, lábios cozidos fechados

O silêncio dos inocentes a gritos estridentes culpados

Sou uma moeda com a mesma face em ambos os lados

Sou calma da vitória e a fúria dos fracassados

Em trajectória descendente, mas em constante ascensão

Em modo permanente frente aos que raramente lá vão

Eu subo e desço o degrau sem mudar de direcção

A escrita precisava de vida, eu dei-lhe o meu coração

Eu dei-te a minha atenção e num momento de distracção

Não percebeste que era real e não uma mera ilusão

O que é bom acaba rápido o que é mau permanece

Essa lição o aluno jamais esquece


[Interlúdio]


[Verso 3]

Sei bem quanto custa, nada é gratuito

Coração quente por vezes frio como granito

Eu fiz alguns amigos, ganhei alguns inimigos

Mas a maioria não me conhece, são os desconhecidos

São os comprometidos, com a desconfiança

Pela conversa de adultos na boca de uma criança

Sou uma mente forte embutida num corpo fraco

Piloto sem avião, marinheiro sem barco

Um momento esquecido num dia para sempre recordado

Sou o trabalho de fundo por vezes subvalorizado

Não vou fazer juízos, prefiro ser advogado

Daquele que inocentemente por todos é condenado

Minha riqueza espiritual paga contribuição fiscal

Para sempre livre como um escravo do poder estatal

Sou um comum mortal, o erro da virtude

Aquele que morreu de sede frente à fonte da juventude