Released on August 25, 2023

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[Pré refrão: Macaia]

Quem não vê

Eu luto com fé

Longe do cliché

Vai contra a maré

Quem não vê

Eu luto com fé

Eu luto com fé-é-é


[Intro: Excerto do poema "Tabacaria", de Álvaro de Campos]

"Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade

Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer

E não tivesse mais irmandade com as coisas

Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua

A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada

De dentro da minha cabeça

E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida"


[Verso 1: Mundo Segundo]

Quem vem do nada já conhece a lama

Manos sonham com a pasta ficam lá com a fama

Somos a voz de um povo que ficou afónico

Inerte na preguiça, na premissa sou lacónico

Vento ciclónico que anuncia a mudança

Mesmo sem esperança, tu avança

Confiança!

Na herança deixo versos, grande parte submersos

Monge longe da ribalta, manifesto sub versos

(Sou) aquele puto que na escola não deu nada

Mais tarde voltou lá para inspirar na caminhada

(E) jamais marcado, sempre fui desenquadrado

Eu sou fora da caixa, se pensas encaixotado

(Vim) libertar a mente daquele que não tem visão

(Deus) no comando desliga a televisão

(Os meus) 'tão na função que lhes foi designada

Com foco na missão do respeito pela palavra


[Refrão: Mundo Segundo]

Porque quem não sabe é como quem não vê

Respeita a minha história, eu luto com fé

Singular distante, longe do cliché

O barco sem vela vai contra a maré

Porque quem não sabe é como quem não vê

Respeita a minha história, eu luto com fé

Eu luto com fé-é-é-é


[Verso 2: Mundo Segundo]

Quem vem do nada já conhece a lama

Manos sonham com a pasta ficam lá com a fama

Somos o grito contido de um povo subnutrido

De um povo submetido do berço até ao jazigo

Prestação é vitalícia para quem procura um teto

Tanto suor e sofrimento por tijolo e concreto

(Nós vamos) gastar o tempo naquilo que valha a pena

Poupar a mente e o corpo, saúde e tempo de antena

No nosso ecossistema, o crescimento é sustentável

O sorriso da hiena jamais será confiável

(Acorda!) Na parada não marchas no tempo certo

Avante camarada porque o longe faz-se perto (Faz-te esperto!)

Olho aberto pois nada aparece feito

Quem não verga a mola só pede esmola e só põe defeito

(O respeito!) Finde aqui a minha tese, deixo a minha prece

Porque quem muito fala nada faz ou acontece


[Refrão: Mundo Segundo]

Porque quem não sabe é como quem não vê

Respeita a minha história, eu luto com fé

Singular distante, longe do cliché

O barco sem vela vai contra a maré

Porque quem não sabe é como quem não vê

Respeita a minha história, eu luto com fé

Eu luto com fé-é-é-é


[Outro: Mundo Segundo]

Quem não vê

Eu luto com fé

Longe do cliché

Vai contra a maré

Quem não vê

Eu luto com fé

Eu luto com fé-é-é